Um Novo Espaço para as Artes em Simão Pereira
O estado de Minas Gerais é conhecido por sua rica tradição nas artes cênicas, destacando-se, por exemplo, o Teatro Municipal Casa da Ópera, localizado em Ouro Preto, que é o mais antigo em atividade nas Américas. Desde o século XVIII, esse espaço é palco de diversas peças e shows que cativam o público. Entretanto, além de Ouro Preto, outras regiões do estado também se empenham para expandir sua cena cultural. Recentemente, em Simão Pereira, na Zona da Mata, um antigo galpão está sendo convertido na primeira sala de espetáculos da cidade, que contará com capacidade para 180 pessoas. Essa iniciativa, realizada pela prefeitura com apoio do governo estadual, tem previsão de conclusão para o segundo semestre.
Em entrevista, o secretário Municipal de Cultura e Turismo, Geraldo Nascimento, compartilhou detalhes sobre a nova estrutura: “Teremos dois camarins com banheiros para os artistas, palco, coxia, banheiro público, foyer (área de espera para o público), copa e bilheteria. Além disso, uma biblioteca será integrada ao espaço, enriquecendo a oferta cultural da cidade”. Simão Pereira, que abriga cerca de 3 mil habitantes, busca assim fomentar atividades culturais e tornar-se um polo de arte a 285 quilômetros de Belo Horizonte.
A Triste Realidade do Teatro São Francisco
Por outro lado, a zona rural de Santa Luzia, na Grande BH, apresenta um cenário contrastante. O Teatro São Francisco, um dos poucos teatros do mundo construído dentro de um curral, enfrenta sérios problemas de abandono. Para a comunidade de Taquaraçu de Baixo, situada a 25 quilômetros do centro da cidade, o teatro é um símbolo de amor e dedicação, porém, atualmente está em estado crítico, cercado por vegetação e com suas portas permanentemente fechadas. A situação se agrava com as chuvas, que contribuem para sua deterioração.
O Teatro São Francisco completará 71 anos em maio, e para entender suas origens, consultamos uma pesquisa do Iepha-MG. Tudo começou quando um jovem seminarista, padre Raimundo Nonato, que hoje tem 94 anos, decidiu reunir alguns jovens da comunidade para realizar peças teatrais durante suas férias na fazenda da família, às margens do Rio Taquaraçu. Sem um local adequado para encenar, ele teve a ideia de utilizar a cocheira do curral de Nelson Gonçalves Marques, conhecido localmente como “Tio Nelson”, que concordou em ceder o espaço. Assim, o palco foi improvisado onde antes prendiam os bezerras, enquanto a plateia ocupava a área onde o leite era ordenhado.
Comunidade e Restauração
A primeira apresentação ocorreu em 31 de maio de 1955, com a peça “Mundo velho tá sem Quintino”. O sucesso foi tão significativo que a comunidade se uniu para construir um teatro. “Tio Nelson” não apenas doou o terreno e os materiais, mas também desenhou a planta do espaço e, mesmo após ficar cego, acompanhou a obra. Infelizmente, após um ano de construção, o teatro desabou com as chuvas. Contudo, a determinação da comunidade em representar se manteve viva, resultando em uma nova construção, mais robusta, que passou por reformas em 1992 e no final da década de 2000.
A Prefeitura de Santa Luzia se manifestou sobre a situação do teatro, informando que “o setor de arquitetura da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo finalizou a atualização do projeto arquitetônico de restauração do teatro. Essa etapa é crucial para o avanço do processo de recuperação do imóvel. Atualmente, estamos trabalhando na elaboração dos projetos complementares de engenharia, essenciais para o detalhamento técnico da intervenção e para a aprovação pelos órgãos competentes”. Após a finalização desse processo e a obtenção das devidas aprovações, o município se compromete a seguir com as etapas necessárias para a execução da obra, incluindo a captação de recursos para restaurar esse importante equipamento cultural.
Certificação Cultural no Estado
Em um cenário mais positivo, 13 cidades mineiras foram certificadas pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) após apresentarem Declaração de Acervos Culturais (DAC). Essa certificação foi concedida a Campo Belo, Divinópolis, Formiga, Itabira, João Pinheiro, Limeira do Oeste, Machado, Oliveira, Ouro Preto, Paracatu, Poços de Caldas, Pouso Alegre e Uberlândia, atestando que esses municípios mantêm acervos organizados em conformidade com as diretrizes técnicas estabelecidas pelo estado.
A DAC, que faz parte do Programa ICMS Patrimônio Cultural, é uma importante ferramenta que fortalece as políticas culturais locais, reafirmando o compromisso dos municípios com a preservação da história. Os critérios para a certificação incluem a organização técnica dos acervos conforme normas estaduais, adoção de medidas de preservação, garantia de acesso público e promoção de atividades culturais que valorizem o patrimônio local.
Restauro da Casa da Glória
Outra boa notícia é o restauro da Casa da Glória, em Diamantina. A Universidade Federal de Minas Gerais concluiu a primeira etapa da restauração, que teve início em 2022, com apoio financeiro do Departamento de Estado dos EUA. Este edifício do século XVIII, que agora faz parte do Instituto de Geociências/UFMG, abriga cursos na área de geologia. O prazo para finalização das obras é até 2027, com um investimento superior a R$ 1,2 milhão, oriundo do Fundo de Embaixadores para Preservação do Patrimônio Cultural.
Exposição e Encontros Culturais
No Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte, a exposição “Cartografia do acaso” do artista Gui Orzil está em cartaz até 12 de abril. Composta por fotografias que exploram a narrativa do acaso e do deslocamento no tempo, a mostra está aberta ao público durante a semana e nos finais de semana.
Além disso, o Iepha-MG realizará, no próximo dia 25, encontros das Rodadas do ICMS Patrimônio Cultural em Governador Valadares e Poços de Caldas. Esses eventos visam orientar gestores locais sobre as diretrizes do programa, que incentiva a preservação e promoção dos bens culturais. O presidente do instituto, Paulo Roberto Nascimento, confirmará presença nos dois encontros. Este é um momento crucial para discutir as atualizações do ICMS Patrimônio Cultural e o fortalecimento das políticas culturais em Minas Gerais.
