Desafios e Oportunidades na Política Mineira
Com a aproximação da disputa pelo governo de Minas Gerais, a direita no estado começa a apresentar rachaduras em sua base de apoio. O vice-governador Mateus Simões (PSD), prestes a assumir o Executivo, encontra sua chapa envolta em disputas internas que geram desgaste entre os partidos aliados. Esse cenário dá abertura para a candidatura do senador Cleitinho Azevedo, que, respaldado pelo Republicanos, parece se preparar para uma corrida ao Palácio Tiradentes.
A situação tensa teve início quando Cássio Soares, presidente do PSD em Minas, afirmou em uma coletiva de imprensa que a escolha do vice de Simões não está garantida ao Novo. Desde o ano passado, Simões tem defendido que, com base em um acordo entre os dois partidos, a escolha deveria ser prerrogativa do governador Romeu Zema.
Possíveis Rupturas e Alianças
Adicionalmente, o Novo começou a sinalizar que, caso o acordo não seja respeitado, poderá apoiar outro candidato ao governo. Apesar das inquietações, tanto Zema quanto Simões tentam minimizar publicamente a possibilidade de uma ruptura.
O embate entre PSD e Novo surge em um momento crucial, em que os partidos da direita em Minas se reorganizam em torno de diferentes candidatos. Enquanto isso, o PL estuda a criação de uma plataforma própria para Flávio Bolsonaro. O Republicanos, por sua vez, está intensificando suas movimentações para promover a candidatura de Cleitinho.
Essa estratégia, no entanto, não foi bem recebida por Simões, que, durante um evento em Uberlândia, criticou a postura do partido. Ele enfatizou que o Republicanos deveria focar em esclarecer as investigações que envolvem Euclydes Pettersen (MG), o presidente estadual da sigla, que está sendo investigado pela Polícia Federal por fraudes no INSS.
“O Republicanos tem que dar prioridade às explicações sobre a situação do seu presidente, que enfrenta questões sérias com a polícia, ao invés de se preocupar em administrar o estado”, afirmou Simões, sublinhando a preocupação de que uma candidatura do Republicanos poderia trazer à tona o escândalo e desviar o foco da campanha.
Visões de Futuro
Apesar das críticas, o vice-governador também fez questão de deixar claro que respeita a trajetória política de Cleitinho e que espera que não haja um afastamento entre eles. Ele mencionou ainda um possível nome para a vice de sua chapa: a vereadora de Belo Horizonte, Fernanda Altoé (Novo), que é vista como uma aliada próxima.
Em resposta às provocações de Simões, Cleitinho Azevedo reafirmou sua disposição para o diálogo. “Tenho um grande respeito pelo Mateus e, se depender de mim, sempre estarei à disposição para o que for necessário”, declarou.
Embora tenha adiantado que definirá sua candidatura apenas em maio ou junho, Cleitinho vem sendo ativo nas redes sociais, compartilhando conteúdos sobre sua intenção de concorrer. Em um vídeo recente, ele declarou que seu comprometimento com a educação e Minas Gerais é um dos principais motivadores de sua candidatura.
Além disso, o senador tem buscado estabelecer alianças com outros representantes do bolsonarismo no estado, como o deputado Nikolas Ferreira (PL), a quem ofereceu seu apoio em troca de abrir mão da própria candidatura. Contudo, Nikolas, que pretende se reeleger, está mais focado em construir sua própria rede de aliados.
Movimentações Estratégicas
Nos últimos meses, Nikolas tem se aproximado de Simões, participando de eventos ao seu lado, mesmo após ser mencionado nas anotações de Flávio Bolsonaro de forma negativa. No PL, há uma pressão interna para que o partido apoie a candidatura de Cleitinho, especialmente entre parlamentares da Assembleia Legislativa, como Cabo Caporezzo e Sargento Rodrigues.
Com a saída de Zema do cargo marcada para o dia 22 de março, Simões deve assumir o comando do estado e acredita que esse momento pode ampliar sua visibilidade política. A expectativa é que sua nova posição fortaleça sua imagem junto aos eleitores.
