Transformação Econômica e Sustentável
Nos próximos dois anos, a economia em 52 assentamentos da reforma agrária na Bacia do Rio Doce passará por uma reestruturação significativa focada na produção de alimentos saudáveis. O projeto, intitulado Retomada Econômica Agroecológica, é coordenado pela Gerência do Rio Doce da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e faz parte do Novo Acordo, prevendo um investimento de quase R$ 50 milhões. O objetivo é reorganizar a produção das áreas, promover a participação ativa das famílias na gestão dos projetos e fortalecer a comercialização dos produtos agroecológicos.
Adriana Aranha, gerente extraordinária de Reparação da Bacia do Rio Doce, destaca que o projeto foi elaborado em colaboração com as comunidades assentadas. As iniciativas têm início neste mês de abril, uma data simbólica que marca a luta nacional pela reforma agrária. “O foco é fortalecer a infraestrutura produtiva dos assentamentos por meio de um investimento em maquinário, produção de sementes e bioinsumos, bem como capacitação para que as famílias implementem, gerenciem e monitorem as ações”, explica Aranha. “A nossa intenção é garantir condições adequadas para que possam produzir mais e de forma sustentável.”
Compromisso com a Sustentabilidade
A presidenta da Anater, Loroana Santana, enfatiza que a “retomada agroecológica nos assentamentos é mais do que um simples aumento da produção; trata-se da reconstrução de caminhos sustentáveis, que promovem autonomia, conhecimento e dignidade para as famílias assentadas”. A Anater, segundo ela, está comprometida em oferecer assistência técnica qualificada e contínua durante todo o processo.
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Aranha também revela que o projeto será implementado em 52 assentamentos afetados pelo rompimento da barragem de Fundão. “Cada ação será cuidadosamente adaptada ao perfil do assentamento e ao trabalho realizado pelas famílias”, afirma. Um dos objetivos é a produção de 3,2 milhões de mudas de árvores para promover a recuperação de mil hectares de vegetação nativa. Para isso, haverá a ampliação dos viveiros Silvino Gouveia, em Periquito/MG, e Pratinha, em Linhares/ES.
Impulsionando a Renda Familiar
Além disso, o projeto inclui ações voltadas para o aumento da renda das famílias, como a criação de quintais produtivos agroflorestais, especialmente em lotes chefiados por mulheres. “Esperamos que, em dois anos, 150 quintais liderados por mulheres estejam produzindo regularmente, com pelo menos 15 espécies diferentes em cada um, o que pode resultar em um aumento de até 30% na renda dessas famílias”, complementa Aranha.
O Projeto de Retomada Econômica Agroecológica é uma iniciativa abrangente que visa não apenas a reparação, mas também um processo estruturante para a região, envolvendo as famílias afetadas e criando um modelo de integração de políticas na bacia. “Esse é um passo importante para um futuro sustentável”, afirma Adriana.
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Fonte: rjnoar.com.br
Um Olhar para o Futuro
O presidente do Incra, César Aldrighi, reafirma que a reestruturação produtiva e social dos assentamentos vai além das questões de reparação. “Estamos falando de um projeto voltado para o futuro, que coloca as famílias assentadas no centro das decisões e das transformações de seus territórios”, menciona. Aldrighi ressalta que essa ação robusta, com um investimento significativo, não apenas busca a recuperação das áreas afetadas, mas também aponta para um novo modelo de desenvolvimento que valoriza a agroecologia, a produção de alimentos saudáveis e o fortalecimento da economia local.
Adicionalmente, ele destaca a relevância da inclusão produtiva e da equidade de gênero, evidenciada pela implantação de quintais agroflorestais liderados por mulheres. “Esse projeto é um exemplo claro de que é possível combinar a produção agrícola com a preservação ambiental. As metas de produção de milhões de mudas para a recomposição de áreas de vegetação nativa são uma demonstração do nosso compromisso com a recuperação ambiental da região”, afirma Aldrighi.
Integração e Luta pela Reforma Agrária
Silvio Netto, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra de Minas Gerais (MST MG), ressalta que a ideia de integração é fundamental para a retomada econômica. O rompimento da barragem, segundo ele, mobilizou a comunidade do MST e trabalhadores que lutam por uma reforma agrária popular. “Decidimos contrabalançar a mineração no Rio Doce com uma visão de recuperação integral da bacia”, revela Netto.
Ele observa que, passados 10 anos, é o momento certo para consolidar um novo modelo de desenvolvimento rural na bacia, focado na agroecologia. “Com a nova governança promovida pelo Novo Acordo, temos mais condições de avançar e transformar a realidade dos assentamentos”, conclui.
O mês de abril, que marca a nova fase de implementação do projeto, tem um simbolismo especial; este ano, celebram-se 30 anos do massacre de Eldorado do Carajás, um marco histórico na luta pela reforma agrária no Brasil, quando 21 trabalhadores rurais foram assassinados enquanto protestavam pela terra.
