Turnê em Minas Gerais marca nova fase do Chão de Estrelas
O grupo teatral Chão de Estrelas, natural de Angra dos Reis, atravessa um momento intenso em sua trajetória artística. Com mais de dez anos de atuação, o coletivo tem levado seus espetáculos para festivais e mostras em Minas Gerais, consolidando sua produção cultural para além das fronteiras do Rio de Janeiro. A agenda da companhia inclui apresentações lotadas, oficinas e diferentes montagens em sequência, refletindo o reconhecimento que conquistaram no cenário nacional.
Rotina de festivais e a receptividade do público mineiro
Desde 2015, a participação em festivais mineiros faz parte da rotina do grupo, como explica o ator Richard Marx, integrante do coletivo. “Anualmente participamos de festivais em Minas Gerais e, este ano, recebemos convites para integrar a mostra de teatro em São José da Barra e retornar ao festival em Conselheiro Lafaiete, onde já estivemos anteriormente”, detalha.
A receptividade do público, especialmente nas cidades do interior que têm pouco acesso ao teatro, tem sido um destaque. Conforme Richard, “as apresentações ficam lotadas e o público interage muito, o que torna cada apresentação ainda mais especial”.
Desafios financeiros e organizacionais da circulação artística
Manter uma turnê em movimento envolve planejamento rigoroso e recursos financeiros consideráveis. Segundo Richard, o maior desafio ainda é o custo das viagens. “Geralmente alugamos carros e fazemos vaquinhas ou usamos recursos próprios. Desta vez, tivemos o apoio da Secretaria de Cultura de Angra dos Reis, por meio da secretária Marlene Ponciano, que auxiliou no transporte da equipe — isso fez toda a diferença”, destaca.
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Fonte: curitibainforma.com.br
Esse apoio foi fundamental para a realização da turnê. “Sem o transporte oferecido pela prefeitura, não estaríamos conseguindo apresentar e ministrar oficinas nos festivais deste ano. Normalmente, arcamos com os custos, mas em 2026 decidimos não tirar dinheiro do bolso para isso”, complementa.
Além disso, a logística exigiu organização específica, já que em três semanas o grupo apresentou três espetáculos distintos, cada um com elencos diferentes. “Decidimos focar em um espetáculo por semana para conseguir organizar cenários, figurinos e ensaios de forma mais eficiente”, explica.
Representar Angra dos Reis e perspectivas futuras
Representar Angra dos Reis em festivais de fora é uma responsabilidade que o coletivo leva a sério. “Nossa cidade possui mais de dez grupos em atividade e promove eventos importantes de teatro. Precisamos dar o nosso melhor para representar bem essa produção cultural”, afirma Richard.
Embora o teatro produzido no interior do Rio de Janeiro ainda tenha espaço para crescimento nacional, o cenário vem evoluindo gradativamente. “Os editais de fomento têm possibilitado que mais grupos circulem com seus projetos, ampliando as oportunidades”, observa.
O grupo já planeja novos desafios, como levar seus espetáculos para as regiões Centro-Oeste e Norte do país. Um convite de um grupo de Goiás está em pauta, embora inviável financeiramente no momento. Em agosto, o Chão de Estrelas realizará apresentações das turmas de oficinas e, em setembro, promoverá seu próprio festival de teatro, reunindo oito grupos de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Goiás. Ainda aguardam o resultado de três festivais que poderão garantir novas viagens ainda este ano.
Repertório consolidado e nova fase como Ponto de Cultura
Paralelamente à circulação, o coletivo estreou recentemente o espetáculo O Flautista, além de continuar apresentando montagens consagradas como Fios de Ouro, de 2015, e Alguém Acaba de Morrer Lá Fora. “Esses espetáculos já têm uma trajetória sólida, com participações em festivais e premiações, o que facilita a manutenção do repertório enquanto desenvolvemos novos projetos”, explica Richard.
Para o ator, o Chão de Estrelas inicia uma nova etapa em sua história. “Não sei se é a fase mais importante, pois todas foram fundamentais para chegarmos até aqui. Agora começamos a viver a fase de Ponto de Cultura, e estamos muito animados com o que ela pode proporcionar”, conclui.
