Retração no comércio mineiro após crescimento expressivo
Minas Gerais sentiu o peso do recuo no comércio varejista em julho, com queda de 1,2% no volume de vendas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado contrasta com o desempenho positivo de 2% registrado em junho, quando o comércio local surpreendeu com um avanço significativo. No cenário nacional, o recuo também foi observado, porém em proporção menor: 0,8%.
Indicadores acumulados mostram resistência no mercado mineiro
Apesar da queda em julho, o comércio em Minas mantém um leve crescimento acumulado de 0,4% no ano de 2026, enquanto o Brasil registra uma retração de 0,2%. Em um comparativo anual, o Estado apresentou aumento de 1,4% no volume de vendas, superando o crescimento nacional de 1%. A comparação com julho de 2025 também aponta resultado positivo de 0,3% para Minas.
Setores que impulsionam e aqueles que puxam o comércio para baixo
Atividades ligadas a hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas, fumo, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos destacaram-se com alta de 2,6%, contribuindo positivamente para o índice geral. Por outro lado, segmentos como combustíveis e lubrificantes (-2,6%), tecidos, vestuário e calçados (-8,7%), móveis e eletrodomésticos (-9,2%) e materiais de construção (-8,5%) registraram quedas significativas em relação a junho, influenciando negativamente o desempenho do comércio mineiro.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Análise do IBGE sobre os movimentos do comércio
O analista do IBGE, Daniel Marcos Resende Dutra, ressalta que oscilações como a observada em julho não são inesperadas. Após uma alta acentuada, é comum que o mês seguinte apresente retração, uma vez que o resultado anterior estabelece uma base elevada para comparação. “Dois meses consecutivos de crescimento expressivo são raros, especialmente em um contexto econômico que não apresenta expansão vigorosa em todos os setores”, explica. Ele também destaca que a política de juros elevados e o aumento da inadimplência limitam a capacidade de consumo das famílias, contribuindo para a desaceleração.
Crédito mais caro freia compra de bens duráveis
Fernanda Gonçalves, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), aponta o encarecimento e a maior restrição do crédito como fatores decisivos para a queda nas vendas de julho, especialmente em produtos que dependem de financiamento, como móveis, eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Segundo ela, a cautela do consumidor e do empresário em relação a investimentos afeta diretamente a demanda por bens semiduráveis e duráveis, que tendem a ser postergados para momentos mais favoráveis.
Produtos essenciais mantêm consumo estável
Por outro lado, itens essenciais continuam com desempenho positivo. Setores ligados a bens de consumo diário, como supermercados e produtos farmacêuticos, mantêm índices favoráveis devido à natureza indispensável desses produtos. Fernanda destaca que, se essas atividades de maior peso conseguirem preservar esse ritmo, o comércio geral poderá apresentar resultados positivos no médio prazo.
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Fonte: acreverdade.com.br
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Impacto da isenção de impostos sobre produtos importados
A economista também relaciona o desempenho do setor de tecidos, vestuário e calçados à retirada da cobrança de impostos sobre produtos importados de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. Esse fator, aliado ao cenário de juros altos, crédito restrito e elevado endividamento, reforça a cautela dos consumidores na aquisição desses itens não essenciais.
Expectativa de oscilações moderadas no comércio
Consultados sobre as perspectivas para os próximos meses, IBGE e Fecomércio-MG concordam que o comércio mineiro e nacional deve apresentar oscilações, mas com variações mais suaves, aproximando-se de uma estabilidade relativa. Fernanda Gonçalves projeta que o índice médio de crescimento deverá oscilar entre 0,8% e 2%, considerando o peso dos diferentes setores e a impossibilidade de quedas ou altas abruptas em curto prazo.
Esse cenário indica um momento de ajuste para o comércio em Minas Gerais, que demonstra capacidade de resistência diante dos desafios econômicos, como o aumento do custo do crédito e a influência de políticas fiscais. O impacto direto se reflete no comportamento do consumidor, na movimentação dos setores e, consequentemente, na geração de emprego e renda no Estado.
