O peso econômico do turismo religioso em Minas Gerais
O turismo religioso é um dos pilares que movimentam a economia em Minas Gerais, atraindo mais de um terço dos visitantes do estado. Cerca de 36% dos turistas viajam motivados pela fé ou pela cultura religiosa, um número que revela a força dessa atividade na economia local. Milhares de peregrinos percorrem longas rotas a pé ou de bicicleta para cumprir promessas, movimentando recursos e gerando emprego em cidades menores onde moradores oferecem alojamento e alimentação.
Esse setor impulsiona cerca de R$ 5 bilhões por ano, mantendo hotéis, restaurantes e comércios ativos durante todo o ano. Programas estaduais, como o Minas Santa, organizam centenas de eventos na Semana Santa, período em que a ocupação hoteleira ultrapassa expectativas com a chegada de cerca de 500 mil pessoas pelo estado.
Santuário Nossa Senhora da Piedade: fé e natureza em harmonia
O Santuário Nossa Senhora da Piedade, a 48 km de Belo Horizonte, é reconhecido como a menor Basílica do Mundo e se destaca pela localização privilegiada a 1.746 metros de altitude, no topo da Serra da Piedade. O local, que abriga a padroeira de Minas Gerais, oferece um cenário de rara beleza natural ideal para reflexão e oração.
Em dias claros, é possível contemplar uma vista panorâmica de 360 graus que inclui nove cidades da região, como Belo Horizonte, Sabará e Santa Luzia. Em dias nublados, o espetáculo da natureza se torna ainda mais marcante, com o verde das matas cobrindo as montanhas ao redor.
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Fundado no século XVIII por Antônio da Silva Bracarena e Irmão Lourenço, o santuário tem uma história rica e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1956. Em 1960, o Estado de Minas Gerais foi solenemente consagrado a Nossa Senhora da Piedade, consolidando a importância do local e reforçando sua tradição de romarias e jubileus.
O Sul de Minas como polo do turismo religioso
O Sul de Minas destaca-se como um dos principais destinos do turismo religioso no país, com santuários, rotas de peregrinação e eventos que atraem milhares de visitantes e movimentam a economia regional. Em Cássia, por exemplo, o setor tem papel central na vida econômica local, representando 60% do orçamento do município.
Empresária do ramo, Ana Paula Avelar Silveira abriu uma loja de artigos religiosos no Santuário de Santa Rita e expandiu para Passos, mostrando a força do mercado. O portal Caminho Santa Rita de Cássia, inaugurado em 2022, marca o início de uma rota de 45 quilômetros percorrida por peregrinos, consolidando-se como ponto de encontro para milhares de fiéis.
Outros destinos do Sul de Minas também ganham destaque, como o Monte das Oliveiras em Alpinópolis, o maior cenário bíblico a céu aberto do país, e o Caminho da Agonia, que liga Cristina a Itajubá, com 61 quilômetros de percurso. Em Baependi, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, onde está sepultada a Beata Nhá Chica, atrai fiéis o ano todo.
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Três Pontas também se destaca com a festa dedicada ao Beato Padre Vítor, que mobiliza romarias e fortalece a economia local. Alagoa, por sua vez, abriga a primeira igreja do Brasil dedicada à Beata Nhá Chica, sendo um polo importante do turismo religioso na região, especialmente durante a festa anual em 14 de junho, que atrai romeiros de diversos lugares.
Impactos práticos do turismo religioso para Minas Gerais
O turismo religioso não é apenas uma manifestação de fé, mas um motor econômico que gera emprego, renda e mantém cidades ativas durante o ano todo. O fluxo constante de visitantes fomenta o comércio local, a hotelaria e a gastronomia, criando oportunidades para pequenos empresários e trabalhadores.
Além disso, o investimento em infraestrutura e a promoção de eventos religiosos pelo governo estadual contribuem para aumentar a atratividade das rotas de peregrinação, fortalecendo a economia regional e promovendo o desenvolvimento social em diversas cidades mineiras.
Esse cenário reforça a importância de políticas públicas que valorizem o turismo religioso como estratégia de crescimento econômico, integrando cultura, fé e desenvolvimento sustentável para Minas Gerais e suas comunidades.
