Memórias que resistem no Fundinho
Uberlândia esconde em suas ruas a história de uma cidade que já não se encontra ao simples caminhar. Fotografias antigas, documentos e a lembrança de quem viveu a transformação urbana revelam uma cidade que evoluiu desde suas raízes no Fundinho, região que deu origem ao núcleo urbano. Antes de avenidas e edifícios modernos, o local era marcado por pequenas famílias e pela chegada da ferrovia da Companhia Mogiana, que impulsionou o comércio e a expansão da cidade. O jornalista Neivaldo Silva, conhecido como Magoo, destaca a influência decisiva do coronel José Teófilo Carneiro na chegada dos trilhos, além da introdução da energia elétrica, elementos que moldaram o desenvolvimento de Uberlândia.
O Centro que mudou com o tempo
Comparar registros fotográficos de diferentes décadas revela uma Uberlândia em transformação constante. Ruas menos movimentadas e construções baixas deram lugar a avenidas movimentadas e prédios altos. A Praça Tubal Vilela, a rodoviária inaugurada em 1976, e até mesmo a capa da revista Veja em 1987, que destacou o crescimento econômico da cidade, mostram a evolução do Centro. Vídeos do canal Uberlândia Retrô reforçam essa narrativa, reunindo imagens que revelam a mudança do cotidiano urbano e a expansão que atravessa gerações.
Crescimento e modernização: o preço da transformação
As mudanças na paisagem urbana não foram apenas uma questão de tempo, mas também de escolhas ligadas ao desenvolvimento e à valorização imobiliária. Magoo aponta que muitos casarões e prédios antigos foram demolidos para dar lugar à modernidade, movidos por interesses econômicos e pela busca de lucro imobiliário. Ao mesmo tempo, áreas rurais cederam espaço à cidade, que avançou sobre novos territórios. A expansão também pode ser vista pelos córregos incorporados à malha urbana, que antes delimitavam os limites do município. Bairros como Santa Mônica, que há décadas eram terrenos vazios ou com características rurais, hoje são alguns dos mais conhecidos da cidade.
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Fonte: curitibainforma.com.br
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Endereços com histórias esquecidas
Locais hoje tão familiares já tiveram usos muito diferentes. A linha férrea da Mogiana, que cortava o centro, desapareceu com o avanço urbano. Estruturas como o antigo hangar Walter Garcia, ligado à aviação local, foram demolidas. Magoo lembra que, nos anos 1970, ruas do Santa Mônica ainda eram identificadas por letras e números, e a rotina tinha forte presença da vida rural, com quintais, hortas e galinheiros. Essas histórias pessoais ganham reforço nos registros documentais, que ajudam a preservar a memória e a identidade da cidade, como destacou o jornalista Celso Machado em reportagem sobre o Museu Virtual de Uberlândia.
Patrimônio que resiste ao tempo
Nem tudo desapareceu no percurso de Uberlândia. Entre os bens protegidos pelo município estão construções que preservam a arquitetura e a cultura local, como a Residência e Armazém Comercial de Antônio de Rezende Costa, a Oficina Cultural, o Teatro Grande Otelo e igrejas históricas. Essas construções revelam hábitos e símbolos de modernidade que marcaram gerações, como o uso pioneiro de sofá, gradil e aquecimento de água em residências. A proteção também alcança manifestações culturais tradicionais, como a Folia de Reis e a Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, que mantêm viva a identidade cultural da cidade.
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Fonte: ctbanews.com.br
Entre passado e futuro: o que Uberlândia preserva?
Fotografias antigas expõem a distância entre a cidade de ontem e a de hoje. Enquanto a Praça Tubal Vilela ainda resiste, outras construções se foram, substituídas por novos edifícios e avenidas. A cidade cresceu, redesenhou seus limites e reconfigurou sua paisagem, impulsionada por diferentes concepções de modernidade, expansão econômica e valorização imobiliária. Ao completar 138 anos em 31 de agosto de 2026, Uberlândia se encontra em um ponto de reflexão: quais das construções atuais ainda contarão a sua história daqui a 62 anos, quando a cidade celebrar seu bicentenário? Essa pergunta reforça a importância de preservar o patrimônio e a memória para as próximas gerações, garantindo que a trajetória da cidade não se perca no tempo.
