Festival do Coreto movimenta a cultura hip hop em Uberlândia
Na tarde do dia 18 de julho, o bairro Luizote de Freitas, em Uberlândia, foi palco da segunda edição do Festival do Coreto, que já figura entre os maiores eventos de hip hop do Triângulo Mineiro. Com entrada gratuita, o festival tomou a praça pública como espaço de encontro e expressão cultural, reunindo batalhas de rimas entre MCs locais e artistas reconhecidos nacionalmente. Além das disputas, o público acompanhou apresentações musicais, slam, oficinas, atividades para crianças e uma ação solidária de arrecadação de alimentos, reforçando o caráter coletivo do evento.
Origem e expansão de um movimento cultural
O Festival do Coreto tem raízes na Batalha do Coreto, criada em 2017, que transformou o centro de Uberlândia em um ponto fixo de cultura e convivência para a juventude. Essa iniciativa impulsionou uma nova geração de artistas e consolidou a cidade como referência no circuito de batalhas de rima do interior do país. A mudança para o bairro Luizote de Freitas, uma das regiões mais populosas da cidade, levou o festival para a periferia, reafirmando a importância da juventude como protagonista da cena cultural local.
Mais do que consumidores, os jovens da periferia assumem papéis fundamentais como criadores, produtores e organizadores, movimentando a cultura a partir de seus próprios territórios. A escolha da praça pública como palco reforça a vontade dessa juventude de ocupar a cidade, produzir arte e construir espaços de convivência e expressão. A entrada franca amplia o acesso, e a contribuição voluntária com alimentos não perecíveis é destinada a famílias em situação de vulnerabilidade, evidenciando o caráter solidário do evento. Na primeira edição, essa ação arrecadou mais de uma tonelada de alimentos.
O impacto da Batalha do Coreto na cena local
Idealizado e organizado por Rafaela Rodrigues, conhecida como RJay, o festival contou com 16 batalhas que culminaram na escolha do grande campeão da noite, Big Mike (SP). Cerca de 6 mil pessoas participaram da segunda edição, demonstrando o alcance e a força do evento na região.
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Em entrevista ao Brasil de Fato MG, Rafaela relata que, ao iniciar a Batalha do Coreto, já existia uma cena efervescente em Uberlândia, com outras batalhas e muitos jovens entusiasmados com a música e o improviso. Contudo, a perda do organizador da Batalha da Z.O., Bruno Silva, em 2016, provocou uma paralisação na cena. Foi a partir desse contexto que Rafaela decidiu retomar e organizar a Batalha do Coreto, que desde então só cresceu e se consolidou.
Transformações e reconhecimento cultural
A Batalha do Coreto marcou um divisor de águas. O número de participantes aumentou significativamente, com dias em que até 32 MCs se apresentaram, e o público passou a lotar as praças. O festival também inspirou o surgimento de outras batalhas na cidade, ampliando o reconhecimento da cultura hip hop e sua legitimação junto à Secretaria de Cultura. O alcance ultrapassou os limites locais, atraindo artistas e público de Goiás, São Paulo e outras regiões do Triângulo Mineiro, além de ganhar visibilidade nacional.
Esse crescimento reflete-se em outras batalhas locais, que também registram aumento de público e novos talentos. A Batalha da Central, por exemplo, recentemente organizou uma competição em trio com 26 MCs, ilustrando como a cultura de batalha de rima se fortalece e se expande em Uberlândia.
Fomento e valorização: o papel das políticas públicas
Durante anos, o projeto foi sustentado praticamente com recursos próprios e muita resistência. A chegada de editais públicos trouxe uma transformação profunda, permitindo valorizar o trabalho dos artistas, investir em equipamentos, estrutura, logística e cachês. Rafaela destaca que o acesso ao recurso possibilita profissionalizar a classe artística, movimentar a economia criativa local e ampliar o alcance cultural dentro e fora da cidade.
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Fonte: daquibahia.com.br
O fomento é vital para a cultura, que não falta em Uberlândia, mas carece de incentivo, respeito e espaço. Mesmo sem esses elementos, o movimento resistiu e se fortaleceu, alcançando hoje um patamar de reconhecimento nacional. Rafaela enfatiza a importância de políticas culturais permanentes para garantir a existência e o crescimento dessa potência cultural.
Legado e futuro do hip hop em Uberlândia
O Festival do Coreto e a batalha de rima assumem papel fundamental não apenas na cena artística, mas na vida dos MCs e do público. Para muitos, o movimento representa um refúgio, um espaço de pertencimento e transformação pessoal. Rafaela compartilha relatos emocionantes de jovens que encontraram no festival e nas batalhas uma forma de superar desafios pessoais, como depressão, e se reconectar com a vida e a arte.
A expectativa é que, nos próximos anos, a Batalha do Coreto continue a ser referência e inspiração para gerações de MCs, contribuindo para a legitimação e valorização do hip hop em Uberlândia. O festival representa a força coletiva que mantém viva essa cultura, reunindo pessoas de diferentes origens em torno do rap e das batalhas de rima, e reafirmando o compromisso de ocupar, produzir e transformar a cidade a partir da cultura.
