Minas Gerais e a agenda estratégica dos minerais críticos
Minas Gerais tornou-se palco de discussões fundamentais sobre os minerais críticos, elementos essenciais para a transição energética e o avanço tecnológico. Na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte, representantes da indústria e convidados internacionais debateram o papel do estado na pesquisa, processamento e inovação dessas matérias-primas.
O encontro, realizado em 18 de agosto, uniu membros do Conselho de Relações Internacionais, do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração da FIEMG. O foco principal foi o desafio de converter a riqueza mineral brasileira em capacidade industrial e tecnológica que gere valor econômico real.
Potencial e desafios na cadeia produtiva de terras raras
Durante o evento, a cadeia das terras raras recebeu atenção especial. André Luís Pimenta, coordenador do CIT SENAI ITR, ressaltou o potencial de Minas Gerais para avançar além da simples extração mineral, destacando etapas como separação, refino e produção de ligas e ímãs permanentes. Esse percurso representa um dos maiores desafios para o Brasil, pois envolve agregar valor por meio do desenvolvimento tecnológico e industrial.
A tecnologia se posiciona como peça-chave nessa estratégia. O acesso ao recurso natural é apenas o começo; o verdadeiro impacto está na capacidade de transformar esse recurso em componentes para setores de alta tecnologia, impulsionando inovação e conhecimento científico.
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Parcerias internacionais fortalecem o setor mineral
O evento também destacou a importância da cooperação internacional. O cônsul comercial da China no Rio de Janeiro, Jing Yanhui, apontou as complementaridades entre Brasil e China, sugerindo ampliação de parcerias em minerais críticos e indústria verde. A cooperação envolve empresas, entidades empresariais e institutos de pesquisa, com foco no processamento e inovação.
A cônsul comercial do Canadá, Helen Belgrave, reforçou a trajetória de investimentos no setor mineral entre os dois países, indicando oportunidades em exploração, processamento e desenvolvimento tecnológico. Já o conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos, Matthew Lowe, falou sobre o potencial brasileiro para avançar em etapas como refino e fabricação de produtos de maior valor agregado, ampliando sua participação no mercado global de tecnologia e energia.
Minas Gerais e a integração regional na indústria mineral
Além das parcerias globais, o debate teve um olhar para a integração sul-americana. Ronald Monsalve Helfant, da Comissão Chilena do Cobre (Cochilco), propôs uma agenda industrial regional para o cobre e lítio, defendendo que a América do Sul pode oferecer uma cadeia mais diversificada e sustentável. Essa estratégia envolve unir recursos minerais com experiência produtiva e pesquisa universitária para fortalecer a competitividade regional.
Na mesma linha, a experiência da Finlândia foi apresentada com exemplos de processos industriais eficientes e sustentáveis, como o projeto que reduz significativamente o consumo de água no refino de lítio. Essa visão reforça a importância da sustentabilidade ambiental aliada ao desenvolvimento tecnológico nas cadeias minerais.
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Impactos econômicos e regulação em foco
O encontro também abordou o recente “Tarifaço” dos Estados Unidos, medida que impõe novas tarifas sobre diversos produtos brasileiros, afetando setores relevantes em Minas Gerais, como máquinas, materiais elétricos e rochas ornamentais. Alexandre Mello, presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, destacou a avaliação do governo brasileiro sobre a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica e as negociações diplomáticas em curso para mitigar os impactos.
Transformar recursos em tecnologia e desenvolvimento
A reunião na FIEMG deixou claro que o debate sobre minerais críticos vai além da mera disponibilidade geológica. Lítio, terras raras, cobre e nióbio exigem uma abordagem integrada que combine pesquisa, processamento, inovação e investimentos robustos. Para Minas Gerais, o desafio é usar sua tradição mineral para avançar na cadeia produtiva, agregando valor e fortalecendo centros de pesquisa e empresas locais.
A presença de representantes da China, Canadá, Estados Unidos, Japão, Chile e Finlândia reforça que essa agenda é global e multidimensional. Cada país trouxe experiências e propostas que podem ajudar o Brasil a consolidar uma indústria mineral mais tecnológica, sustentável e integrada ao mercado internacional.
Esse movimento indica que a transição energética e a transformação digital dependem, em parte, da capacidade de Minas Gerais e do Brasil de traduzir seus recursos minerais em inovação e desenvolvimento econômico concreto.
