Disputa Eleitoral em Minas Gerais
BRASÍLIA – O senador Rodrigo Pacheco, representando o PSB, está previsto para ser oficialmente lançado como candidato ao governo de Minas Gerais somente em julho, período que coincide com o início das convenções partidárias. Fontes próximas ao Estadão/Broadcast indicam que, embora sua participação seja considerada certeira nos bastidores, a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda está engajada em negociações para garantir a entrada de outros partidos na coligação, especialmente o União Brasil.
Uma fonte revelou ao Estadão/Broadcast que no cenário eleitoral de Minas, o candidato que optar por uma postura mais conservadora e evitar antecipações na pré-candidatura sairá em vantagem. Portanto, a expectativa é de que Pacheco não se apresente como postulante ao governo estadual neste momento.
Além disso, outro ponto crucial a ser considerado é que os partidos que compõem a base de Lula ainda não conseguiram firmar apoios que assegurem a viabilidade da candidatura de Pacheco ao governo mineiro. Para garantir maiores chances, conquistar tempo de televisão e fortalecer sua chapa, o União Brasil e o Partido Progressista (PP) são considerados alvos estratégicos.
O União Brasil, federado ao PP, precisa tomar decisões em conjunto, e é visto como o partido mais próximo de se juntar à coligação que Lula busca formar. Pacheco, que foi filiado ao antigo DEM (que se fundiu com o PSL para formar o União em 2022) entre 2019 e 2021, conta com o apoio do presidente estadual do União em Minas, deputado federal Rodrigo de Castro, que, no entanto, não retornou tentativas de contato feitas pela reportagem. Atualmente, o PP já possui um acordo com o governador Mateus Simões (PSD) para lançar Marcelo Aro como candidato a senador em sua chapa.
Ademais, o ambiente político em Minas está agitado, já que vários partidos centristas têm seus próprios pré-candidatos, como é o caso do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB).
A decisão de Simões de deixar o Novo e se filiar ao PSD em 2022 motivou Pacheco a trocar de partido, atendendo ao pedido de Lula para concorrer ao governo de Minas e garantir um palanque no Estado. A nova filiação ao PSB foi formalizada no dia 1º do mês corrente.
Por outro lado, mesmo na base de Lula, um palanque ainda está em disputa. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que representa o PDT, tem mostrado resistência em abdicar de sua candidatura para ser vice de Pacheco. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, declarou que qualquer movimentação nesse sentido depende exclusivamente da vontade de Kalil.
O cenário se complica ainda mais, já que a base de apoio de Lula enfrenta a expectativa do voto bolsonarista, que deve se direcionar para Cleitinho e Simões. Para Lula, Pacheco é visto como o candidato ideal em Minas, por ter potencial para captar votos de centro, que foram cruciais para sua vitória apertada sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na última eleição, com uma diferença de menos de 50 mil votos.
Com a intenção de consolidar Pacheco como candidatura, Lula já realizou uma série de reuniões, além de levá-lo para compromissos e eventos em Minas. O presidente fez apelos públicos para que o senador, que havia considerado se afastar da política, aceitasse participar do pleito.
Pacheco também foi considerado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em substituição a Luís Roberto Barroso, recebendo o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Entretanto, optando pela permanência de Pacheco no jogo político de Minas, Lula decidiu nomear o advogado-geral da União, Jorge Messias, para essa posição.
Pesquisa Mostra Cleitinho em Destaque
Recentemente, uma pesquisa do instituto AtlasIntel, divulgada no mesmo dia da filiação de Pacheco ao PSB, revelou que Cleitinho se destaca na disputa, liderando com 32,7% das intenções de voto. Pacheco aparece em segundo lugar, com 28,6%, enquanto Kalil registra 11,7% de apoio.
Os números da pesquisa mostram o senador Carlos Viana (PSD) com 7,5% e Mateus Simões com 6,2%. O ex-presidente do Legislativo belo-horizontino, Gabriel Azevedo (MDB), tem 4%, enquanto o advogado Benoni Mendes (Missão) soma 3,7%. Os votos em branco e nulos representam 1,8%, e 3,8% dos entrevistados ainda estão indecisos.
No cenário de um segundo turno entre Pacheco e Cleitinho, a pesquisa mostra que o pré-candidato do Republicanos teria 47% das intenções de voto, contra 42% de Pacheco, com 11% dos eleitores se declarando indecisos ou optando por brancos e nulos.
A pesquisa realizada pela AtlasIntel entrevistou 2.195 eleitores entre os dias 25 e 30 de março por meio de recrutamento digital, registrando uma margem de erro de dois pontos percentuais e um índice de confiabilidade de 95%. O levantamento encontra-se registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MG-01664/2026.
