Retorno Marcante à Secretaria de Cultura
Após um intervalo de seis meses, Leônidas Oliveira está de volta ao comando da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. Ele retornará ao cargo que ocupou desde 2020, sucedendo Bárbara Botega, que anunciou sua pré-candidatura a deputada federal e, por isso, precisou se descompatibilizar do cargo, conforme a legislação eleitoral.
O convite para o retorno foi feito pelo recém-empossado governador Mateus Simões, do PSD, que assumiu o governo em decorrência da renúncia de Romeu Zema, do NOVO, que se concentra em sua corrida pela presidência da República.
Em uma mensagem enviada a grupos do setor cultural e turístico, Leônidas expressou sua satisfação com a nova convocação: “Recebo com serenidade e responsabilidade o chamado do governador Mateus Simões para retornar à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. Desde 2020, Mateus sempre foi um grande apoiador da nossa pasta, reconhecendo a relevância da cultura e do turismo para o desenvolvimento do nosso Estado”.
Leônidas enfatizou que sua volta representa a continuidade e o aprofundamento de um trabalho iniciado anteriormente. “Estou voltando com o espírito de trabalho, escuta e compromisso com a descentralização, a valorização dos artistas, a proteção do patrimônio e o fortalecimento da cultura e do turismo em todas as regiões de Minas Gerais. Nos próximos dias, após os primeiros alinhamentos com a equipe, apresentaremos novos programas e ações”, acrescentou.
Reflexões e Projetos Futuros
Durante o período em que esteve afastado da secretaria, Leônidas se dedicou a reorganizar sua vida pessoal e profissional, além de finalizar o livro “Manual da Mineiridade”, que tem lançamento previsto para maio deste ano.
Relembrando sua saída em setembro do ano passado, Leônidas havia solicitado exoneração do cargo após um período de crescente tensão em sua gestão. Na ocasião, um dos principais marcos de seu trabalho foi o reconhecimento dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2024.
Entretanto, sua saída foi marcada por conturbações, especialmente após uma audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Na sessão, Leônidas endossou críticas de parlamentares sobre a inclusão de bens culturais, como o Palácio das Artes, na lista de “moedas de troca” para abater a dívida do Estado com a União.
“Acredito que todos esses bens são simbólicos para Minas Gerais. A falta de recursos para fomento à cultura pode gerar sérios problemas”, declarou na audiência. Leônidas, na época, alegou não ter conhecimento da inclusão de diversos equipamentos culturais na lista de imóveis oferecidos ao governo federal.
As declarações de Leônidas geraram repercussão negativa e foram criticadas pelo então vice-governador Mateus Simões, que questionou sua postura em frente aos parlamentares.
Desafios e Projetos Paralisados
No âmbito da Secretaria, Leônidas havia iniciado projetos significativos, como a reforma do Prédio Verde da Praça da Liberdade, que, após melhorias, abrigaria o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e a primeira pinacoteca do Estado. Contudo, durante seus meses fora, não houve avanços nas obras, e a gestão de Bárbara Botega enfrentou dificuldades para garantir novos patrocínios, o que levantou incertezas sobre a concretização do projeto.
A reforma do Palácio das Artes também estava paralisada. Sérgio Rodrigo Reis, presidente da Fundação Clóvis Salgado (FCS), responsável pela administração do espaço, revelou que os planos para reformas estruturais, que deveriam começar pelo Grande Teatro, foram adiados. “Concluímos a fase inicial, que foi elaborar e aprovar projetos, mas isso demanda tempo”, afirmou.
O financiamento originalmente previsto por meio de um edital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi redirecionado para outras prioridades, complicando ainda mais a situação. “Vencemos o edital, mas o recurso foi destinado para a Copa. Estamos em negociações para liberar os fundos que conquistamos”, garantiu.
Retração do Turismo e Expectativas
Além dos desafios administrativos, o setor de turismo em Minas Gerais enfrentou uma retração significativa. Dados do IBGE indicaram que, em dezembro, a atividade turística acumulou uma diminuição de 4,4%. O cenário exige uma resposta contundente da nova gestão e ações eficazes para reverter essa situação.
