Visitas a Bolsonaro na Papudinha
No final de 2023, o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou sua intenção de concorrer à presidência em 2024, contando com o apoio de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que estava detido na sede da Polícia Federal, em Brasília. Com visitas restritas, a mobilização de aliados começou a ganhar força após sua transferência para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em janeiro de 2024. Desde então, políticos em busca de apoio para suas candidaturas a cargos estaduais e ao Senado têm se deslocado para a unidade prisional.
Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que Jair Bolsonaro cumpra 90 dias de prisão domiciliar após sua recuperação de uma infecção respiratória. Apesar das concessões, a decisão impôs diversas restrições, entre elas a proibição do uso de celular, gravações de vídeos e visitas que não fossem de advogados e filhos, em horários previamente definidos.
Durante sua estadia na Papudinha, Bolsonaro recebeu a visita de pelo menos uma dezena de aliados, conforme levantamento das agendas autorizadas. Entre os visitantes, destacam-se nomes como:
- Tarcísio de Freitas — governador de São Paulo
- Carlos Portinho — senador (PL-RJ)
- Bruno Bonetti — senador (PL-RJ)
- Nikolas Ferreira — deputado federal (PL-MG)
- Ubiratan Antunes Sanderson — deputado federal (PL-RS)
- Guilherme Derrite — secretário de Segurança Pública de SP
- Anderson Luis de Moraes — secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do RJ
- Jorge Antônio Oliveira — ministro do TCU
- Rogério Marinho — senador
- Cabo Gilberto Silva — deputado federal (PL-PB)
- Hélio Lopes — deputado federal (PL-RJ)
- Luiz Antonio Nabhan Garcia — ex-secretário de Assuntos Fundiários
- Wilder Morais — senador (PL-GO)
Em uma aparição breve no dia 9 de setembro de 2025, Bolsonaro foi visto no quintal da casa onde cumpre prisão domiciliar. A visita dos políticos tem gerado movimentações significativas no cenário eleitoral, com Flávio Bolsonaro, por exemplo, assumindo a responsabilidade de comunicar decisões do pai em relação a candidaturas.
Já no mês de novembro, ele anunciou que os candidatos do bolsonarismo ao Senado em Santa Catarina seriam Carlos Bolsonaro, seu irmão, e a deputada Carol De Toni, deixando de lado o aliado Espiridião Amin, do PP. A decisão gerou repercussão entre os apoiadores.
No dia 29 de janeiro, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e antes pré-candidato à presidência, visitou Bolsonaro, reafirmando sua intenção de buscar a reeleição no governo paulista e negando qualquer desconforto na relação com o ex-presidente. “Desde 2023, nosso foco é em São Paulo. Não há controvérsia”, declarou o governador.
Em 25 de fevereiro, Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de Tarcísio, também esteve ao lado de Bolsonaro e teve seu nome confirmado por Flávio como pré-candidato ao Senado por São Paulo, afirmando que “está batido o martelo” sobre sua candidatura.
O deputado Nikolas Ferreira visitou Bolsonaro em 21 de fevereiro, recebendo aval do ex-presidente para tratar de articulações políticas em Minas Gerais. “Discutimos não apenas Minas, mas outros estados. Estamos trabalhando para garantir que não deixaremos nosso estado nas mãos da esquerda”, afirmou o deputado em entrevista.
No mesmo dia, o deputado Sanderson se reuniu com Bolsonaro e saiu da visita com a missão de ser porta-voz político do ex-presidente. “Ele me incumbiu de atuar em algumas decisões, já que ele não pode falar”, explicou Sanderson, que também recebeu orientações sobre pré-candidaturas ao Senado para diversos estados, incluindo a sua própria.
A trajetória de Jair Bolsonaro foi marcada por acontecimentos turbulentos, incluindo sua condenação em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativas de golpe. Sua prisão preventiva, determinada por Moraes, ocorreu após tentativas de violação de medidas de segurança. Inicialmente, Bolsonaro foi custodiado na sede da Polícia Federal, onde as visitas foram limitadas. Contudo, a transferência para a Papudinha trouxe um novo cenário, permitindo a aproximação de aliados e o fortalecimento de articulações eleitorais.
Ao longo desse período, Bolsonaro foi submetido a mais de 200 atendimentos médicos e, em março, foi internado em um hospital particular para tratamento de broncopneumonia. Apesar de já ter recebido alta da UTI, continua sem previsão de alta total, seguindo a recuperação de sua saúde.
