Uma Estratégia de Desenvolvimento Regional
Minas Gerais, um estado caracterizado pela sua diversidade econômica e pela forte presença de pequenas e médias empresas, adotou a transformação de vocações regionais em motores de crescimento como uma de suas principais estratégias para fomentar o empreendedorismo. Nesse cenário, a política de Arranjos Produtivos Locais (APLs) se destacou como um importante instrumento de desenvolvimento regional, estruturando cadeias produtivas, fortalecendo polos econômicos e ampliando a geração de empregos.
Um APL vai além de um simples grupo de empresas na mesma localidade. Ele se configura como uma rede de cooperação, onde empresas, associações e o poder público trabalham de forma integrada em um mesmo setor econômico.
No momento, Minas Gerais conta com 77 APLs reconhecidos, abrangendo 323 municípios e beneficiando diretamente 86 mil empresas, que por sua vez geram cerca de 292 mil empregos diretos.
Reconhecimento e Suporte Governamental
O reconhecimento e a identificação dos APLs pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) são fundamentais para transformar as vocações regionais em alavancas de crescimento. A formalização de um APL permite que o estado ofereça ações de fomento específicas, como capacitações, suporte tecnológico e, principalmente, maior visibilidade em mercados relevantes.
Para ilustrar a eficácia dessa política, no último ano, aproximadamente 70 empreendedores de Minas que fazem parte de APLs alcançaram um faturamento total em torno de R$ 580 mil, resultado da venda de produtos em feiras e eventos do setor.
Esses expositores puderam apresentar seus produtos gratuitamente, com o auxílio de seis editais de chamamento público promovidos pelo Governo de Minas, através da Sede-MG, em feiras e eventos em diversas regiões do estado.
Crescimento Constante dos APLs
A política de apoio aos APLs tem demonstrado resultados positivos, refletindo um crescimento significativo no número de arranjos em Minas Gerais. Nos últimos quatro anos, 36 APLs foram reconhecidos, beneficiando cerca de 26 mil empresas e gerando 103 mil empregos.
Somente no último ano, cinco novos APLs foram formalizados. Um deles, o APL Polo Cine Vales, é formado por cinco municípios da região do Vale do Aço e abriga mais de 500 empresas. Este arranjo visa desenvolver a cadeia produtiva do cinema e do audiovisual, uma iniciativa que, embora nova na região tradicionalmente voltada para a produção de aço, está ganhando força em Caratinga, Coronel Fabriciano, Governador Valadares, Ipatinga e Timóteo.
Outro exemplo bem-sucedido é o APL de Vestuário e Lingerie de Juruaia, localizado no Sul de Minas, que conta com 318 empresas e gera 1.106 empregos. Segundo a Associação Comercial e Industrial de Juruaia (Aciju), esse arranjo movimenta um faturamento bruto mensal superior a R$ 15 milhões, com a produção de cerca de 20 milhões de peças íntimas.
Vantagens para as Empresas
Fazer parte de um APL reconhecido traz inúmeras vantagens competitivas. Entre os principais benefícios, a Sede-MG destaca a redução de custos e o ganho de escala, viabilizados pela compra conjunta de insumos e compartilhamento de infraestrutura logística. Isso permite que pequenos negócios consigam negociar em condições semelhantes às de grandes empresas.
A proximidade entre as empresas do mesmo setor também favorece a inovação compartilhada, facilitando a troca de conhecimentos e o desenvolvimento de soluções tecnológicas comuns. Além disso, o acesso a políticas públicas se torna mais simples, já que o governo prioriza grupos organizados em suas ações de fomento, o que facilita a participação em feiras e rodadas de negócios.
Crédito e Ambiente de Negócios Favorável
Outro pilar fundamental para o fomento ao empreendedorismo em Minas é a oferta de crédito em condições atrativas, proporcionada pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Os recursos da instituição são direcionados a apoiar empresas em diversas fases, desde a abertura até a expansão dos negócios.
A importância do BDMG para a economia mineira é evidente. Somente até novembro do ano passado, os desembolsos totalizaram R$ 4 bilhões, um crescimento de 4% em relação ao mesmo período em 2024, resultando no terceiro recorde consecutivo de financiamentos.
Desse total, micro e pequenas empresas receberam R$ 417 milhões, marcando um crescimento de 17% em comparação a 2024. Já as médias e grandes empresas totalizaram R$ 2,3 bilhões, principalmente voltados a projetos de investimento, que geram um impacto significativo no setor produtivo do estado.
Com uma linha de crédito chamada “BDMG Livre para Crescer”, o banco já ultrapassou R$ 20 milhões em desembolsos, focando em empreendedores de municípios que adotaram a Lei de Liberdade Econômica, uma iniciativa que visa desburocratizar o ambiente de negócios.
O apoio é ainda mais direcionado à inclusão, com a introdução de novas linhas de crédito com taxas reduzidas para mulheres empreendedoras e produtoras rurais, considerando que as empresas lideradas por mulheres representam cerca de 40% das micro e pequenas empresas em Minas. Esse foco é vital para transformar a realidade econômica das famílias mineiras.
Esses esforços de apoio aos empreendedores têm gerado resultados expressivos. Nos últimos anos, Minas Gerais atraiu mais de R$ 530 bilhões em investimentos privados, que prometem gerar milhares de novos empregos no estado nos próximos anos.
