Servidores em Luta por Direitos
Nesta terça-feira (24 de janeiro), servidores públicos de Minas Gerais iniciaram uma paralisação das atividades em resposta à proposta de recomposição salarial apresentada pelo governo do estado à Assembleia Legislativa (ALMG). O movimento, que é liderado por profissionais das áreas de meio ambiente e saúde, conta com o apoio de trabalhadores da educação básica. Todos estão insatisfeitos com os valores do Projeto de Lei (PL) 5.323/2026, que não atendem às expectativas dos servidores.
O impasse do reajuste de 5,4%
A proposta, apresentada pelo governador Mateus Simões (PSD), sugere um aumento de 5,4%, retroativo a janeiro de 2026. No entanto, o funcionalismo público considera esse índice como “insuficiente”. Conforme o Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente de Minas Gerais (Sindsema/MG), esse percentual não leva em conta as perdas inflacionárias que já ultrapassam 30%. A insatisfação é visível entre os trabalhadores, que acreditam que a proposta não reflete a realidade econômica que enfrentam.
Wallace Alves de Oliveira, presidente do Sindsema/MG, critica a abordagem do governo ao afirmar que a gestão estadual tenta criar uma “narrativa fantasiosa” sobre o aumento real. “O governo anuncia 5,4% como se fosse um ganho real de 1%, mas ignora anos de congelamento salarial. O que pedimos é o mínimo: 9,36%, que cobre apenas a inflação de 2024 e 2025”, enfatiza Oliveira, refletindo o descontentamento da categoria.
Críticas à gestão estadual e salários defasados
As lideranças sindicais ressaltam que a prática de oferecer reajustes somente em anos eleitorais é uma estratégia política que prejudica não apenas o poder de compra dos trabalhadores, mas também a qualidade dos serviços prestados à população. Segundo dados do sindicato, Minas Gerais apresenta alguns dos piores salários do Brasil em setores essenciais como meio ambiente, educação e segurança pública.
Tramitação na ALMG
Apesar das manifestações e da pressão nas galerias da Assembleia Legislativa, o PL 5.323/2026 foi aprovado em primeiro turno por unanimidade na última terça-feira. A oposição, por meio de emendas da deputada Beatriz Cerqueira (PT), tenta aumentar o índice para os 9,36% reivindicados pelas categorias antes da votação final em segundo turno. Isso demonstra a urgência da pauta para os trabalhadores, que seguem mobilizados.
As mobilizações continuarão até a próxima sexta-feira (27 de janeiro), mas os serviços essenciais ainda não foram totalmente interrompidos, o que mostra a preocupação dos servidores em manter a prestação do atendimento à população. Neste contexto, cabe ressaltar que, até o fechamento desta reportagem, o Governo de Minas Gerais não tinha se pronunciado sobre as críticas e reivindicações dos servidores. O espaço permanece aberto para um posicionamento oficial do Executivo.
