Movimento Estratégico de Pacheco
O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, anunciou nesta quarta-feira sua decisão de se filiar ao PSB, visando sua candidatura ao governo de Minas Gerais. A formalização dessa mudança ocorreu durante um jantar em Brasília, onde esteve na companhia do presidente da sigla, João Campos, e outras figuras importantes do partido, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, a deputada Tabata Amaral e o ex-presidente da legenda, Carlos Siqueira.
A candidatura de Pacheco é vista como uma forma de fortalecer o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais. Nos últimos dias, o presidente do PT, Edinho Silva, dialogou com João Campos para discutir a viabilidade da candidatura do ex-senador.
No âmbito do PT, a pré-candidatura de Pacheco já é considerada uma certeza. No entanto, o PSB ainda não anunciou oficialmente essa nova aliança. Gleide Andrade, secretária de Finanças do PT, expressou sua alegria em relação à candidatura:
— Minas respira liberdade e alívio com o anúncio da pré-candidatura de Pacheco. Um estado como o nosso merece um governador à altura. Pacheco possui todas as qualidades necessárias para nos governar, e com sua candidatura, Minas não ficará à margem do Brasil, assegurando mais uma vitória ao presidente Lula.
Para concorrer ao governo de Minas, Pacheco precisará deixar o PSD, partido que já lançou Matheus Simões como pré-candidato. Essa mudança de legenda é crucial, uma vez que o PSD já está alinhado em apoiar Simões.
Nas últimas semanas, o senador também teve conversas com membros do MDB e do União Brasil, mas não conseguiu chegar a um acordo. No começo de março, Pacheco se reuniu com líderes do MDB, que deixaram claro que, no momento, não podiam considerar a filiação do senador, especialmente porque a legenda já conta com o ex-vereador de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, como pré-candidato ao governo em 2026.
Informações de interlocutores do MDB em Minas sugerem que houve uma possibilidade de acolher Pacheco, mas com a condição de que essa filiação ocorresse após 4 de abril, ocasião em que, de acordo com a Justiça Eleitoral, ele não poderia ser candidato por este partido.
Essa possibilidade foi descartada por ambas as partes durante a conversa, e Pacheco não recebeu um convite formal para se unir ao MDB.
Similarmente, a federação entre União e PP deve apoiar a candidatura de Simões, que é do grupo do ex-governador Romeu Zema (Novo). A aliança entre MDB e PP em Minas tende a ser mais próxima da oposição a Lula, o que dificulta seu apoio ao petista.
Um dos principais desafios que Pacheco enfrenta ao se filiar ao PSB é a menor expressão do partido em comparação a outras legendas que ele considerou. Além disso, o fundo partidário do PSB é consideravelmente reduzido em comparação com os outros partidos. Esse montante precisará ser dividido entre diversas candidaturas, incluindo as de deputados federais e a de governador. Por outro lado, a coligação com partidos maiores, como o PT, pode ser a chave para a viabilização da campanha de Pacheco no próximo pleito.
