Empresas Dominam Leilão e Prometem Grande Impacto na Geração de Empregos
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) conduziu, nesta sexta-feira, seu primeiro leilão de transmissão de energia voltado para 2026, na sede da B3 em São Paulo. As grandes vencedoras foram as empresas Engie e Cymi Construções e Participações, que juntas asseguraram a maioria dos lotes disponíveis. No total, cinco lotes foram negociados, com investimentos estimados em aproximadamente R$ 3,3 bilhões, resultando na criação de cerca de 8,5 mil novos postos de trabalho.
O sucesso dessas empresas se deve à oferta de descontos significativos sobre a Receita Anual Permitida (RAP), que é o limite estabelecido para cada lote. Essa medida reflete a remuneração anual que os empreendedores recebem durante o período em que prestam os serviços de transmissão. O desconto médio alcançado neste leilão foi de 50,69%, o maior desde 2020, e a RAP total contratada ficou em R$ 286,2 milhões. Estima-se que os consumidores economizem cerca de R$ 7,6 bilhões ao longo dos contratos, que têm duração entre 25 e 30 anos.
Vencedores do Leilão e Seus Impactos Regionais
Três consórcios se destacaram ao vencer os contratos licitados. A Engie liderou com um investimento total de R$ 1,5 bilhão, seguida pela Cymi, que também investiu aproximadamente R$ 1,5 bilhão. O Consórcio BR2 ET Transmissora, que inclui empresas como Raff Geração e Comércio de Energia Elétrica LTDA e Brenergia Participações LTDA, conquistou um lote com R$ 240 milhões de investimentos.
A licitação contempla a construção e manutenção de 798 quilômetros de novas linhas de transmissão, além da instalação de 2.150 MVA em capacidade transformadora em subestações e compensadores síncronos. Os projetos cobrem 11 estados diferentes, incluindo Bahia, Ceará, Minas Gerais e São Paulo, entre outros.
Além dos novos empreendimentos, o leilão também contemplou a relicitação de uma concessão existente, que envolve a Subestação Nilo Peçanha e 115 km de linhas de transmissão para atender à região Sul Fluminense, no Rio de Janeiro.
Detalhes dos Lotes e Propostas Vencedoras
No Lote 1, a Cymi apresentou uma proposta de R$ 46,6 milhões, com um desconto de 46,85% em relação ao teto de R$ 87,7 milhões. O investimento total estimado para esse lote é de R$ 528 milhões, o que gerará aproximadamente 1.295 postos de trabalho diretos e indiretos. As obras ocorrerão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, com prazo de 49 meses para operação.
O Lote 2 foi arrematado pela Engie, que fez uma proposta de R$ 18,1 milhões, equivalente a um desconto de 46,89% sobre o valor de referência de R$ 34,1 milhões. Esse projeto é esperado para gerar cerca de 553 empregos e expandir a capacidade de fornecimento no Paraná e em Santa Catarina, com um investimento previsto de R$ 193,6 milhões.
A Engie também conquistou todos os quatro sublotes do Lote 3, com propostas que variam de R$ 20,6 milhões a R$ 39,6 milhões, refletindo descontos que vão de 52,3% a 56,2%. O investimento total para este lote será de R$ 1,3 bilhão e incluirá a instalação de compensadores síncronos nas subestações do Ceará e do Rio Grande do Norte.
O Lote 4 foi vencido pelo Consórcio BR2 ET, que apresentou uma proposta de R$ 25,6 milhões, com um desconto de 37,89% em relação ao de R$ 41,1 milhões. O investimento total estimado é de R$ 240 milhões, criando 686 empregos em 42 meses. Este projeto abrange 113 km de linhas de transmissão e subestações com capacidade de 300 MVA para atender municípios da Bahia e de Sergipe.
Por fim, o Lote 5 também foi arrematado pela Cymi, com uma proposta de R$ 91,2 milhões, que representa um desconto de 50,89% sobre o valor de R$ 185,7 milhões. Este projeto prevê a construção de 505 km de linhas de transmissão, além de subestações e compensadores síncronos, com capacidade total de 1.050 MVA.
