Mobilização Docente em Minas Gerais
Na última quinta-feira (26), professoras e professores das Universidades do Estado de Minas Gerais (Uemg) e Estadual de Montes Claros (Unimontes) promoveram um dia de paralisação. O movimento, que busca um reajuste salarial justo, valorização da carreira e a autonomia das instituições, marcou o início da Campanha Salarial 2026. A proposta foi oficialmente apresentada em uma audiência pública realizada na Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Pela manhã, docentes acompanharam a votação do Projeto de Lei 5.323/26, que propõe um reajuste de 5,4% para todos os servidores públicos. “Embora houvesse uma forte pressão por parte de servidores de várias categorias, com destaque para a Aduemg, Adunimontes e ANDES Sindicato Nacional, as emendas que propunham um aumento maior, de 9,36%, não foram aprovadas devido aos votos da base governista”, declarou Cassio Diniz, 1° secretário da Regional Leste do ANDES-SN.
Segundo Diniz, que integra a Diretoria Colegiada da Aduemg SSind, a luta continua firme. “Nossa mobilização em Minas Gerais permanece por reajuste salarial e outras pautas importantes, como a autonomia universitária (PEC 59/25), o pagamento de dedicações exclusivas (PL 3.218/24), e a regulamentação das gratificações por função. Também estamos batalhando pelo fim da Lista Tríplice nas Universidades Estaduais, conforme o PL 5.365/26, de autoria da deputada Beatriz Cerqueira (PT), que foi publicado hoje na ALMG”, ressaltou.
Reajuste Insuficiente e Luta Contínua
O presidente da Associação dos Docentes da Uemg (Aduemg SSind), Túlio Lopes, enfatizou que o que está sendo proposto não é um aumento, mas um reajuste mínimo que não cobre as perdas salariais acumuladas nos últimos dois anos. “O governo está apresentando o reajuste como se fosse algo positivo, mas já acumulamos mais de 85% de perdas salariais. É evidente que falta uma política salarial eficaz do governo do Estado”, afirmou Lopes, destacando a continuidade na luta por valorização profissional e reformulação na carreira docente.
Após a votação do projeto de reajuste, a Aduemg SSind, em Assembleia Geral, decidiu iniciar uma jornada de lutas voltada para a aprovação dos projetos de lei que estão em trâmite na ALMG. Além da PEC 59/25, que trata da autonomia universitária, e do PL 3.218/24, que busca garantir a Dedicação Exclusiva, Lopes ressaltou a importância da aprovação do PL 3.219/25, que institui a gratificação por função. “Estamos também exigindo, junto à Adunimontes, o cumprimento do nosso acordo de greve, que já completou 10 anos”, concluiu.
Vitórias Recentes e Mobilização Contínua
Durante a audiência, Lopes celebrou a retirada de pauta do PL 3.738/25, proposta que visava transferir a gestão da Uemg e seus bens para a União. Essa proposta foi amplamente contestada por docentes, técnicos administrativos e a comunidade estudantil. Em 2025, a categoria já havia aprovado um estado permanente de mobilização e realizado diversas manifestações contra essa iniciativa. “Uemg: quem conhece, defende!” foi uma campanha de sucesso que conseguiu barrar a proposta privatista do governador Romeu Zema, representando uma vitória significativa para toda a comunidade universitária da Uemg.
Mobilização em Diversas Universidades
Além da Uemg e da Unimontes, universidades estaduais de várias regiões do Brasil estão se mobilizando em busca de recomposição salarial e valorização profissional. Na Universidade do Distrito Federal (UnDF), docentes iniciaram uma greve no dia 20 de março, após tentativas frustradas de diálogo com a reitoria. No Rio de Janeiro, professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) deflagraram greve no dia 25, após uma década, por melhores condições de trabalho e reajuste salarial.
No Pará, os docentes da Universidade do Estado do Pará (Uepa) se juntaram a outros servidores em uma “Marcha da Indignação” nas ruas de Belém, em busca de valorização e negociação salarial. Enquanto isso, no Maranhão, as universidades estaduais Uema e Uema Sul aprovaram a intensificação de suas mobilizações, incluindo paralisações.
Na próxima terça-feira (31), os docentes da Universidade Estadual de Roraima (UERR) e representantes do movimento estudantil realizarão um ato público na frente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), a partir das 9h, para chamar a atenção para problemas administrativos e estruturais, além da questão salarial. Esse ato foi aprovado pelo Sinduerr SSind e busca abordar várias questões, como a assistência estudantil e a infraestrutura da UERR.
No Piauí, a ADCESP SSind decidiu realizar um dia simbólico de mobilização em 1º de abril de 2026, para protestar contra as perdas salariais dos últimos 13 anos e o impacto financeiro decorrente. A manifestação também discutirá preocupações sobre o Projeto de Lei do Programa de Gestão Especial da Oferta (PGEO).
No Mato Grosso do Sul, a Aduems SSind está se unindo a outras entidades do serviço público para discutir uma recomposição salarial de 3,8%, proposta pelo governo estadual, ressaltando a necessidade de uma agenda de luta pela valorização. Os docentes da UEMS enfrentam 44,48% de perdas salariais desde 2014 e aprovaram um estado de greve em Assembleia no dia 20 de março. Já no Paraná, docentes de diversas universidades paralisaram suas atividades no dia 17 de março, pressionando o governo de Ratinho Júnior (PSD) por melhores condições de trabalho e reajuste salarial. No Amazonas, os docentes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também estão ativos na Campanha Salarial 2026, organizando Assembleias Gerais descentralizadas em Manaus.
