Desempenho Impressionante da Vale no Primeiro Trimestre
A produção de minério de ferro da Vale em Minas Gerais atingiu 29,6 milhões de toneladas (t) no primeiro trimestre de 2026, de acordo com o balanço divulgado pela empresa nesta semana. Esse resultado representa um crescimento de 10,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, 2025.
O aumento na produção foi impulsionado principalmente pelo Sistema Sudeste, abrangendo os complexos de Itabira, Minas Centrais e Mariana, que registraram uma impressionante alta de 19,2%, com um total de 19,2 milhões de t. Esse desempenho positivo foi alcançado apesar dos altos níveis de precipitação e da interrupção de cinco dias nas operações ferroviárias.
Segundo a mineradora, fatores como a contínua ramp-up do projeto Capanema, que deverá atingir sua capacidade máxima no segundo trimestre, e o forte desempenho do Brucutu, que alcançou a maior produção para um primeiro trimestre desde 2018, foram cruciais para esse resultado. A Vale também destacou a redução do tempo de parada para manutenção no Complexo Itabira como um aspecto positivo que contribuiu para o aumento da produção.
Desafios e Estabilidade no Sistema Sul
No Sistema Sul, que inclui as operações de Paraopeba e Vargem Grande, a produção foi relativamente estável, totalizando 10,4 milhões de t, o que representa uma leve queda de 2%. As chuvas acima da média impactaram negativamente o desempenho, especialmente nas unidades de Viga e Fábrica, que estão paralisadas desde o fim de janeiro devido a extravasamentos de água e sedimentos nas estruturas das minas. No entanto, a planta VGR1, que se integrou ao Complexo Vargem Grande, trouxe resultados positivos ao desempenho global.
Produção Total e Expectativas para o Ano
Consolidando os dados do primeiro trimestre, a produção total de minério de ferro da Vale alcançou 69,7 milhões de t, representando um avanço de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado não apenas pela produção em Minas Gerais, que se destacou, mas também por um aumento de 5,8% nas compras de terceiros, que chegaram a 6,9 milhões de t.
Por outro lado, o Sistema Norte, localizado no Pará, apresentou uma queda de 3,6%, com a produção totalizando 33,2 milhões de t. A Vale atribuiu essa redução à menor disponibilidade de run-of-mine em Serra Norte, embora tenha ressaltado que as otimizações no portfólio de produtos ajudaram a mitigar as perdas.
Vendas e Preços em Alta
Quanto às vendas, a mineradora registrou 68,7 milhões de t de minério de ferro entre janeiro e março de 2026, representando uma alta de 3,9% em relação ao mesmo período de 2025. Esse volume é o maior registrado em um primeiro trimestre desde 2018, refletindo a recuperação e a expansão das operações da empresa.
Além disso, o preço médio realizado de finos aumentou 5,5% em um ano, alcançando US$ 95,8 por tonelada, enquanto os preços das pelotas sofreram uma redução de 5%, com um valor em torno de US$ 133,8/t. Notavelmente, o prêmio all-in, ajustado pelo índice de preço de 61% Fe, subiu 29,2%, atingindo US$ 4,8/t, evidenciando a valorização dos produtos da mineradora.
Perspectivas Futuras
A Vale projeta produzir entre 335 e 345 milhões de t de minério de ferro neste ano. No ano anterior, a produção totalizou 336,1 milhões de t, sendo 134,7 milhões de t originárias de Minas Gerais, o que representou o maior volume desde 2018. Esses resultados reforçam a posição da mineradora como líder global no setor, superando a marca de 327,3 milhões de t da Rio Tinto, na Austrália. A continuidade dos esforços de produção e a superação de desafios climáticos serão essenciais para manter esse crescimento e a competitividade no mercado.
