Um Olhar Feminino Sobre o Congado
O Documentário “Sá Rainhas”, produzido por Ana Luísa Cosse e Marina Araújo, se propõe a resgatar a presença feminina na rica tradição dos Congados e Reinados, que são considerados patrimônios culturais imateriais de Minas Gerais. Essas manifestações representam expressões vibrantes da Cultura Afro-Brasileira. Após uma estreia com exibição gratuita em Ibertioga na semana passada, o filme agora pode ser assistido no YouTube. A obra mergulha em um universo que mistura simbolismo, religiosidade e cultura, explorando celebrações que perpetuam um legado construído por comunidades negras ao longo de gerações.
“Sá Rainhas” acompanha as rainhas da Banda Dançante de Congada e Moçambique Nossa Senhora do Rosário e das Mercês, que se destaca como uma das manifestações culturais mais antigas da Zona da Mata mineira e já é reconhecida como patrimônio imaterial de Ibertioga. A proposta do documentário surge da constatação das cineastas de que as narrativas sobre o Congado na região foram historicamente contadas a partir de uma perspectiva masculina.
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“Nosso primeiro contato com a história da Banda Dançante de Congada e Moçambique Nossa Senhora do Rosário foi por meio da Sá Rainha Iasmim Alice. Conhecemo-nos em projetos artísticos em Belo Horizonte, e fomos cativadas pela rica história das Sá Rainhas de Ibertioga, especialmente pela intergeracionalidade que existe entre elas”, recorda Marina Araújo, uma das diretoras da obra.
Entre as entrevistadas e protagonistas do documentário, estão Sá Rainha Andreza Márcia da Silva, Sá Rainha Iasmim Alice, Sá Rainha Joana D’Arc da Silva, Sá Rainha Maria Francisca de Jesus e Sá Rainha Yonara Tavares Campos. Elas representam distintas gerações de mulheres que dedicam suas vidas à devoção a Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês. Vestidas como rainhas durante a Festa do Rosário, essas mulheres compartilham um legado que une espiritualidade, ancestralidade e a força do feminino ao longo do tempo.
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A diretora Ana Luísa Cosse comenta: “Identificamos que as narrativas sobre o Congado de Ibertioga eram predominantemente masculinas e, a partir disso, nos perguntamos: quais histórias essas mulheres, as rainhas, teriam para compartilhar sobre o Reinado? Essa curiosidade nos levou a criar um documentário que colocasse essas mulheres, pilares da Irmandade de Ibertioga, no centro da narrativa, destacando suas vozes e histórias.”
O Congado e os Reinados em Minas Gerais são ocasiões que unem memória e devoção em celebrações que transcendem gerações. Mantendo um lugar especial na cultura afro-brasileira do estado, essa tradição continua a florescer em diversas regiões. O Iepha-MG já registrou mais de 900 guardas ou ternos vinculados às irmandades do Rosário. Em Ibertioga, essa cultura se destaca especialmente na Festa do Rosário, perpetuando uma irmandade que promove a continuidade dessa herança cultural no cotidiano da cidade.
