Inovação e Preservação Cultural
A memória ferroviária no Brasil tem se mostrado uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento econômico e cultural. Projetos como “Estação” e “Identidades”, realizados ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), exemplificam como histórias enraizadas nos trilhos podem não só preservar a história, mas também gerar um impacto social significativo. Em 2025, essas iniciativas já movimentaram R$ 3,9 milhões na economia cultural e têm um impacto estimado em mais de R$ 29 milhões para a economia brasileira.
Com um percurso que vai de Cariacica, no Espírito Santo, até Belo Horizonte, em Minas Gerais, as iniciativas envolvem 42 municípios que têm laços históricos com a EFVM. Por meio de registros fotográficos, documentários, oficinas culturais e exposições, os projetos buscam não apenas preservar estruturas físicas, mas também as memórias e histórias de muitos que viveram ao lado da ferrovia.
Um dos relatos mais marcantes vem de Dona Antônia, entrevistada do projeto, que relembra: “Antigamente, o trem carregava galinha, porco, fumo de rolo, mudança. Vinha até cabrito!” Essa memória, segundo ela, é representativa da integração regional que o transporte ferroviário proporcionou ao longo das décadas.
Oficinas e Formação Cultural
O projeto “Estação”, desenvolvido por Preto Filho, direciona suas atividades principalmente a jovens com idades entre 16 e 25 anos, oferecendo oficinas de fotografia, audiovisual e intervenções artísticas em espaços públicos. Já o “Identidades”, sob a coordenação de Diego Ribeiro, foca na preservação da memória afetiva ferroviária, utilizando entrevistas e registros culturais para criar livros-inventário que narram a história da ferrovia.
De acordo com Preto Filho, o “Estação” se destaca por incorporar arte, memória e cultura de maneira estruturada, promovendo um senso de pertencimento cultural nas comunidades ao longo da ferrovia. Ele destaca que essa abordagem é pouco explorada no campo das práticas ESG (Ambiental, Social e Governança).
Diego Ribeiro, por sua vez, enfatiza que o “Identidades” vai além do simples registro histórico. “Esse projeto se diferencia por ser uma iniciativa que utiliza a cultura como motor de desenvolvimento e preservação da memória”, explica.
Resultados e Impactos no Turismo
As ações dos projetos incluem festivais culturais, rodas de conversa e exposições, todas com a participação direta das comunidades envolvidas. Isso tem contribuído para fortalecer o turismo ferroviário nas cidades contempladas, transformando os territórios em locais de experiências culturais ricas e diversificadas.
Os resultados apresentados em 2025 incluem mais de 300 registros de memórias coletadas, 5 mil fotografias produzidas durante as iniciativas, 80 jovens capacitados nas áreas de fotografia e audiovisual e 192 horas de atividades formativas. Além disso, foram realizadas 21 apresentações culturais e instalações artísticas em sete municípios, com exposições integradas ao Circuito da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.
A viabilização dos projetos contou com o Recurso para Preservação da Memória Ferroviária da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em parceria com a Vale. Preto Filho ressalta que esta iniciativa é pioneira, sendo uma das primeiras aprovações culturais vinculadas à preservação da memória ferroviária, promovendo um engajamento social significativo nas comunidades atendidas.
Futuro Promissor Até 2028
Os projetos estão programados para continuar até 2028, com planos de ampliar a abrangência e as ações culturais ao longo da EFVM. Dessa forma, espera-se que cada vez mais comunidades se beneficiem da valorização de suas histórias e da geração de novas oportunidades econômicas através da cultura e do turismo.
