Revogação da Taxa das Blusinhas
Em uma decisão que pegou muitos de surpresa no Congresso Nacional, o governo federal anunciou a revogação da chamada taxa das blusinhas, uma tarifa que foi instituída em junho de 2024 para a importação de produtos com valor de até US$ 50. Na noite de ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) que extingue essa taxação, que estava em vigor há quase dois anos. A MP já foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) e entrou em vigor imediatamente.
Paralelamente, o Ministério da Fazenda lançou uma portaria que aborda a continuidade do programa Remessa Conforme. Desde agosto de 2024, as compras realizadas estavam sujeitas a uma taxa de 20%. Segundo o governo, a medida visava combater o contrabando neste setor e proteger o mercado interno, diante do crescimento de e-commerce oriundos da China, como AliExpress, Shopee e Shein. Apesar do fim dessa tarifa, a partir de hoje, os produtos continuarão sujeitos à taxação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que foi elevado de 17% para 20% em 10 estados no mês anterior.
Reunião no Palácio do Planalto
A assinatura da MP ocorreu no Palácio do Planalto, após uma reunião entre o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, e diversos ministros, incluindo Bruno Moretti e Míriam Belchior. Alckmin, que anteriormente defendia a manutenção da taxa das blusinhas como um método de proteção à indústria nacional, comentou: “A tarifa é ainda menor do que a aplicada na indústria nacional. Se somar 20% do imposto de importação e o ICMS dos estados, isso representa menos de 40%. Já o produtor nacional paga quase 50%”.
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Defesa da Taxação e Críticas à Revogação
Antes da assinatura da MP, Ceron e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestaram apoio à taxa, argumentando que ela tinha sido eficaz na contenção do contrabando no comércio digital e que a revogação beneficiaria principalmente a população de baixa renda, que frequentemente utiliza essas plataformas para adquirir produtos essenciais.
No entanto, a decisão surpreendeu parlamentares na Câmara dos Deputados. Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara, afirmou que o parecer referente à MP estava finalizado e seria apresentado rapidamente, o que demonstra um ritmo acelerado nas negociações. Por outro lado, Joaquim Passarinho (PL-PA), vice-líder da sua legenda, alegou que, apesar de já haver informações sobre a elaboração do relatório, muitos parlamentares não esperavam a apresentação imediata, o que provocou uma corrida por articulações na Casa. Ele ainda reforçou que um eventual recuo do governo seria uma vitória para a direita: “Na minha opinião, isso só gera desgaste, é um tiro no pé”.
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Reações do Setor e Impactos Potenciais
A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria (FPI), presidida pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ), criticou a revogação da taxa, afirmando que a medida enfraquece a indústria nacional e amplia a concorrência desleal com as empresas brasileiras. “Não existe competitividade quando o empresário brasileiro paga impostos altos e o produto importado entra sem tributação. Isso prejudica empregos, produção nacional e o comércio formal”, concluiu o comunicado.
Além da FPI, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) expressou preocupação com a MP, alegando que a retirada da tributação sobre produtos importados de baixo valor acentuará a desigualdade competitiva enfrentada pelas empresas nacionais, especialmente pelos pequenos e médios negócios. A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvetex) também se manifestou contra a medida, afirmando que “isso colocará em risco 18 milhões de empregos gerados pela indústria do varejo nacional”. A revogação da taxa das blusinhas, portanto, pode ter desdobramentos significativos no cenário econômico e social do país.
