Reviravolta na candidatura de Aécio Neves
Três semanas depois de anunciar que não participaria das eleições de 2026, Aécio Neves (PSDB) voltou atrás. Nesta sexta-feira, 28, o ex-governador confirmou que disputará uma vaga no Senado representando Minas Gerais. A decisão veio após apelos de aliados e a desistência do PDT em lançar um candidato na chapa de Alexandre Kalil para o governo do estado.
Em coletiva em Belo Horizonte, Aécio destacou ter assumido a candidatura por responsabilidade com Minas Gerais e pela convicção de que pode ajudar o estado a enfrentar suas dificuldades fiscais. “Volto ao jogo, volto à disputa eleitoral, por responsabilidade para com Minas Gerais e por ter a consciência de que eu posso ajudar Minas a enfrentar e superar suas gravíssimas dificuldades”, afirmou. Ele convidou a população a avaliar sua decisão.
Motivação e impacto da candidatura
Inicialmente, o tucano havia declarado que não disputaria cargo eletivo em 2026, pretendendo focar na reorganização do PSDB, partido que enfrentou derrotas consecutivas nos últimos pleitos. A mudança de posicionamento tem duas causas principais. A primeira é a situação fiscal delicada de Minas Gerais, especialmente a dívida com a União. Aécio prometeu, caso eleito, formar uma “bancada dos estados devedores” no Senado para pressionar o governo federal a negociar condições mais realistas.
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A segunda razão é estratégica: o retorno ao Senado, somado à presidência do PSDB, permitiria a construção de uma alternativa política de centro para as eleições de 2030. O ex-governador criticou o que classificou como “radicalização pueril” e “penosa” da política brasileira, reforçando a necessidade de um caminho mais equilibrado.
Contexto político e próximos passos
Aécio Neves cumpre seu sétimo mandato como deputado federal e já foi senador entre 2011 e 2019. Em 2014, disputou a Presidência da República pelo PSDB, mas foi derrotado por Dilma Rousseff (PT) no segundo turno. Este ano, sua participação eleitoral teve altos e baixos. Em maio, o PSDB o convidou para concorrer à Presidência, mas ele recusou.
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O cenário para sua candidatura ao Senado se fortaleceu após Marcelo Heringer (PDT) desistir da disputa, abrindo espaço na chapa de Kalil. A articulação entre PDT e a federação PSDB-Cidadania também contribuiu para o recuo de Aécio. Em nota conjunta, os partidos afirmaram ter recebido manifestações de lideranças mineiras solicitando que ele reconsiderasse a decisão inicial de não participar da eleição.
