Uma Trajetória Multifacetada na Arte
Brisa Marques é uma artista multifacetada, atuando como poeta, letrista, jornalista e ativista cultural. Com vasta experiência nas esferas da literatura, música e teatro, ela faz parte da curadoria do \ENTRE\, uma mostra de artes e cultura que ocorrerá em 2026. Graduada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte e em teatro pela UFMG, Brisa possui um histórico de obras que une diferentes linguagens artísticas. Sua carreira inclui mais de 60 canções gravadas por renomados artistas, como Mônica Salmaso e Zé Miguel Wisnik, e publicações como “Corpo-concreto”. Ela também tem um papel ativo na comunicação cultural, tendo trabalhado na Rede Minas e na Rádio Inconfidência. Recentemente, se aprofundou em pesquisas sobre cultura DEF e anticapacitismo, idealizando o Festival Desvio, previsto para 2025.
O \ENTRE\ surge como uma proposta inovadora, fruto da reformulação do projeto ||entre|| arte e acesso, promovendo um panorama abrangente da comunidade DEF. O evento, marcado para os dias 6 a 10 de maio de 2026, contará com apresentações de dança, teatro e música, além de debates que abordarão temas como acessibilidade estética e anticapacitismo.
Refletindo sobre a Arte e a Deficiência
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Em uma conversa com a Itaú Cultural, Brisa reflete sobre sua jornada enquanto artista def, ressaltando como sua experiência pessoal moldou sua visão sobre a arte. “Nem sempre fui uma artista def. Até os meus 20 anos, eu era apenas uma artista”, revela. A mudança de perspectiva, aos 21 anos, veio com a descoberta de sua deficiência motora, devido a uma lesão medular que exigiu o uso de bengalas. Essa transição gerou um sentimento de exclusão e, inicialmente, de incapacidade, levando-a a acreditar que não poderia mais atuar como atriz.
Contudo, Brisa encontrou sua voz na escrita e na música, utilizando essas formas de expressão para explorar sua nova realidade. “O que eu percebo é que existem saberes sobre deficiência que são pouco acessados, e isso afeta não só as pessoas com deficiência, mas toda a sociedade”, explica, destacando que sua arte se transformou à medida que ela reconheceu a importância de integrar sua experiência de vida ao seu trabalho criativo.
Celebrando a Originalidade e a Inclusão
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Fonte: parabelem.com.br
Brisa também compartilha como a participação em eventos culturais voltados para a inclusão a impactou artisticamente. “Esses encontros me ensinam sobre originalidade. Quando vejo obras que incorporam acessibilidade de forma inovadora, percebo que estamos criando novas camadas de significado”, conta. Ao mencionar o trabalho de outros artistas, ela acredita que o termo “aleijar” pode ser uma forma de descrever as fraturas criativas que desafiam a normatividade nas artes.
“O desejo de aleijar minhas obras é sobre romper com padrões estabelecidos e ressaltar a beleza nas complexidades da experiência humana”, diz Brisa, referindo-se ao kintsugi, a arte japonesa de reparar cerâmicas quebradas com ouro, como uma metáfora para a ressignificação de sua própria trajetória.
Transformando Percepções e Rompendo Barreiras
O diálogo com o público geral é igualmente importante. Brisa observa que a interação entre pessoas com e sem deficiência é marcada por curiosidade, estranhamento e, por vezes, medo. “A história da deficiência está repleta de estigmas e preconceitos, e eventos como o \ENTRE\ são fundamentais para desconstruir esses conceitos. A ideia é que, ao conviver, as pessoas comecem a perceber que não se trata de superação, mas de arte e estética”.
Ela enfatiza que é preciso avançar na desmistificação e que a arte deve ser acessível não apenas em termos práticos, mas também na sua recepção e interpretação. “Estou animada com a curadoria do \ENTRE\, pois será uma oportunidade de mostrar a diversidade de modos de fazer arte, refletindo sobre a estética e a sensibilidade que permeiam essas experiências”, conclui Brisa.
