Críticas ao Acordo de reparação
O prefeito de Brumadinho, Gabriel Parreiras (PRD), não poupou críticas ao acordo de reparação estipulado após o rompimento da barragem da Vale, que causou uma das maiores tragédias ambientais do país. Em uma entrevista ao programa Café com Política, veiculado no canal de O TEMPO no YouTube na última quinta-feira (30/4), Parreiras expressou sua indignação com a forma como o governo de Minas Gerais conduziu o processo, ressaltando que a cidade tem sido marginalizada nas decisões fundamentais.
“Brumadinho não foi reparada. O acordo entre o Estado de Minas Gerais e a Vale não incluiu Brumadinho nas discussões. Como se pode firmar um acordo de R$ 37 bilhões sobre um crime que ocorreu aqui e não ouvir a cidade afetada?”, questionou o prefeito. Ele destacou que Brumadinho busca, na Justiça, um acordo que reflita de maneira mais justa os danos sofridos. “Estamos em um processo judicial contra a Vale para garantir uma compensação que atenda às necessidades reais da cidade”, completou.
Falta de Articulação Política
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Durante a conversa, o prefeito não hesitou em criticar a atuação do governo estadual em relação à gestão política da tragédia. Para ele, houve uma carência de articulação e atenção com relação a Brumadinho ao longo de toda a situação. “A parte política do governo deixou a desejar. Era necessário um olhar mais atento para a nossa realidade. Tentamos a municipalização de uma estrada para facilitar uma obra crucial, mas não conseguimos. Essa foi uma perda política significativa”, avaliou.
Parreiras também se debruçou sobre a alocação dos recursos acordados, que considera insuficientes diante do impacto da tragédia. “Foram R$ 1,5 bilhão destinados a Brumadinho, que pode parecer uma quantia alta, mas representa apenas 4% do total de R$ 37 bilhões. Isso não é minimamente justo. O ideal seria algo em torno de 10%, e mesmo assim ainda poderia ser considerado pouco. Precisamos de um fundo que gire em torno de R$ 6 bilhões ou R$ 7 bilhões para assegurar o futuro da cidade”, argumentou, enfatizando que os danos em Brumadinho são incomparáveis aos de outras regiões de Minas Gerais.
A Segurança do Futuro
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Na visão do prefeito, o acordo falhou em levar em conta a realidade local e os efeitos de longo prazo da tragédia. “Brumadinho precisa de segurança quanto ao seu futuro. O que realmente preocupa é o que acontecerá quando a reparação chegar ao fim. Como ficará a renda da cidade? É fundamental que possamos proporcionar essa tranquilidade aos moradores e aos investidores”, disse.
Ademais, Parreiras lamentou o papel secundário que Brumadinho tem ocupado nas decisões relacionadas ao acordo de reparação. “A cidade não escolheu o que aconteceu. Foi um crime, e Brumadinho não pode ser lembrada apenas por isso. É preciso que haja um reconhecimento no processo de reparação”, enfatizou.
Expectativas para as Eleições em Minas Gerais
Em outro ponto da entrevista, o prefeito de Brumadinho abordou o panorama eleitoral em Minas Gerais, manifestando seu apoio ao ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), como potencial candidato ao governo do Estado. “Eu sonho com a eleição do Gabriel Azevedo. Ele é um representante que possui os mesmos ideais e compreende os problemas de Brumadinho. Precisamos de um governador que reconheça que nossa cidade não pode ser apenas mais uma”, afirmou.
Parreiras deixou claro que Brumadinho deve receber prioridade nas políticas públicas estaduais. “Estamos falando da cidade que enfrentou o maior crime ambiental da história. É imprescindível um olhar diferenciado. O compromisso do Gabriel conosco é que Brumadinho será colocada como prioridade, ajudando assim a ressignificar a cidade”, concluiu.
