inteligência artificial e a Evolução dos Jingles
O cenário das campanhas políticas está passando por uma transformação significativa com a ascensão da inteligência artificial (IA). Tradicionalmente, a produção de jingles para candidatos exigia investimentos altos, superando os R$ 10 mil para canções originais gravadas em estúdio. Em contraste, jingles mais simples podem ser adquiridos por menos de R$ 50 através de redes sociais. Para a publicitária Natália Mendonça, o uso de ferramentas sintéticas na criação de jingles já se tornou uma realidade nas últimas eleições e neste pleito, a IA deverá ser aplicada de forma ainda mais estratégica. ‘Não eram as músicas oficiais que iam para as minhas campanhas, mas sim aquelas que eram tocadas pelos carros de som nas ruas, animando a galera em bandeiraços. As possibilidades são muitas e, em alguns casos, a IA proporciona um nível e uma quantidade de produção que as campanhas nem imaginariam contratar’, destaca Natália.
A divisão entre músicos e marqueteiros se torna cada vez mais evidente. Can Kanbay, músico e produtor com experiência em jingles para candidatos de diferentes esferas, observa que a popularização das ferramentas de IA pode diminuir o valor que ele cobra por seus serviços. Contudo, essa tecnologia também lhe permite ganhar tempo. ‘A IA me fornece arranjos completos. Posso refazer tudo no meu estilo ou usar, por exemplo, apenas a bateria gerada por um site de conteúdo. O resultado? Às vezes, uma tarefa que levaria uma hora agora pode ser concluída em 10 segundos’, explica Kanbay. Para ele, em um cenário de prazos apertados, cada minuto economizado é valioso.
A Questão Emocional na Música de Campanha
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Por outro lado, Ramon Quadros, fundador da gravadora Jingle Online, ressalta que, apesar da eficiência e praticidade, as ferramentas de IA não conseguem transmitir a emoção que uma música de campanha criada por humanos proporciona. ‘Criamos tudo do zero, começando pela guia para o cliente. Após a aprovação, desenvolvemos letra, melodia e todos os elementos, incluindo vocal e backing vocal, do início ao fim’, comenta. Para Ramon, a falta de alma nas composições geradas por IA é um fator determinante: ‘A voz gerada por máquinas carece de sentimento’.
A Mudança no Impacto dos Jingles Políticos
Paulo Vasconcelos Rosário, publicitário responsável pela comunicação da pré-campanha de Ronaldo Caiado (PSD), observa que os jingles já não têm o mesmo impacto que tiveram nas campanhas presidenciais anteriores. Ele acredita que esse recurso deve ser utilizado com cautela para não comprometer a autenticidade e a diferenciação no debate político. ‘O jingle é uma ferramenta que perdeu um pouco de sua força nas campanhas majoritárias. No passado, as músicas transmitiam emoções ao eleitor, mas agora o eleitor questiona: ‘Preciso votar no candidato por conta da musiquinha?’. Portanto, é necessário usar os jingles com moderação e no momento certo’, explica Paulo.
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Estratégias de Música nas Eleições de 2026
À medida que as equipes de pré-campanha ajustam suas abordagens de comunicação, o uso da inteligência artificial se torna um ponto central. Embora os marqueteiros evitem compartilhar detalhadamente suas estratégias, muitos já estão utilizando a tecnologia para criar vídeos, locuções e músicas. Um exemplo é a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), onde jingles produzidos por apoiadores já estão sendo exibidos em eventos. Por outro lado, a equipe de Lula (PT) é mais cautelosa para evitar acusações de propaganda antecipada, optando por não utilizar jingles de apoiadores. Mesmo assim, simpatizantes continuam a criar conteúdos de forma espontânea, como o músico Juliano Maderada, que afirma não usar IA em suas composições.
