Uma Iniciativa pela transparência
A Kopenhagen, renomada marca brasileira de chocolates que agora faz parte do portfólio da Nestlé, anunciou o lançamento de um novo selo, chamado K.O.P (Kopenhagen de Origem Protegida). O selo, que será exibido em aproximadamente 80 produtos — cerca da metade do portfólio da marca —, tem como objetivo aumentar a transparência da cadeia produtiva de chocolates. A mudança será implementada a partir de agosto deste ano e será acompanhada por uma plataforma digital que detalha todo o processo, desde a seleção do cacau nas fazendas até a produção artesanal na fábrica.
Fernando Vichi, CEO da Kopenhagen, ressaltou que o selo é uma forma de reunir diversas iniciativas já existentes na empresa, que há décadas se dedica à responsabilidade socioambiental. “Eram ações um tanto isoladas, mas sempre houve preocupação e empenho. Agora, estamos consolidando tudo isso sob um programa com um nome específico, que facilitará a comunicação com os consumidores”, afirmou.
Compromissos Socioambientais e Colaboradores
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O selo K.O.P também valida os compromissos da Kopenhagen com práticas sustentáveis, que incluem metas para redução das emissões de gases do efeito estufa, a gestão de 100% dos resíduos gerados e a garantia de que o cacau utilizado não vem de áreas desmatadas ou de trabalho infantil. Atualmente, a marca conta com cerca de 650 produtores que fornecem a matéria-prima, mas, por enquanto, não será possível indicar a origem específica do chocolate que chega ao consumidor.
“Identificar cada agricultor seria bastante complexo, mas no futuro, é provável que consigamos implementar isso”, disse Pedro Velardo, responsável pelo marketing e produtos da empresa. O selo também é uma resposta a um relatório da Nestlé, que prevê uma redução de pelo menos 2% na produção de cacau no Brasil até 2040, devido às mudanças climáticas. Para Vichi, as consequências vão além do aspecto econômico, afetando diretamente a qualidade do chocolate.
Impactos da Mudança Climática
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Fonte: bahnoticias.com.br
“Mudanças climáticas visíveis têm impacto direto no cultivo e, consequentemente, na cadeia produtiva”, disse Vichi, enfatizando a necessidade de adaptação. Igor Mota, gerente de agricultura para cacau da Nestlé Brasil, acrescentou que o novo selo incentivará os agricultores a reduzirem a emissão de dióxido de carbono (CO2) por tonelada de cacau. Ele também mencionou que a Kopenhagen já começou a avaliar as emissões nas fazendas desde 2024 e que os resultados serão divulgados em breve.
“Elevando a produtividade, diminuímos a pegada de carbono por tonelada. Outra frente é promover práticas agrícolas regenerativas que aumentem a eficiência na produção”, explicou Mota.
A História e os Desafios dos Produtores
A Fazenda Engenho D’Água, localizada em São Francisco do Conde, na Bahia, é um dos fornecedores da Kopenhagen e opera sob o modelo agroflorestal, cultivando banana e seringa ao lado dos cacaueiros. Mario Augusto Ribeiro, proprietário da fazenda, expressou esperança de que o selo traga maior reconhecimento e melhores condições financeiras para os agricultores, que atualmente enfrentam um cenário desafiador. “O preço do cacau está muito baixo, e a produção tem gerado prejuízos. O custo de produção de uma arroba é de R$ 300, enquanto o valor pago ao produtor é de cerca de R$ 220”, lamentou Ribeiro.
Fundada em 1928, a Kopenhagen não apenas se adapta às mudanças do mercado, mas também preserva sua tradição. O processo de fabricação ainda inclui receitas clássicas, como a Bala de Leite, que continua a ser produzida de forma artesanal. O diretor industrial da fábrica, Michey Piantavinha, informou que a unidade de Extrema, em Minas Gerais, possui cerca de 765 colaboradores e consome entre 1.500 e 2.000 toneladas anuais de licor e manteiga de cacau, provenientes de grandes moageiras, como Barry Callebaut e Cargill.
