Mobilizações pelo Fim da Escala 6×1
Durante a semana do Dia do Trabalhador, que ocorre em 1º de maio, centrais sindicais, movimentos populares e organizações de trabalhadores em Minas Gerais estão se mobilizando em diversas cidades. As manifestações têm como principal objetivo a luta pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem diminuição de salários. Essa pauta ganhou destaque em nível nacional após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter enviado um projeto de lei ao Congresso Nacional.
Os atos programados para os dias 29 e 30 de abril terão seu ápice no dia 1º e se estenderão até 3 de maio, abrangendo localidades como Belo Horizonte, Betim, Uberlândia, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba, Ouro Preto, Divinópolis, Ribeirão das Neves, Araguari, Pedro Leopoldo e Ituiutaba. As manifestações incluirão passeatas, atividades culturais, debates públicos e celebrações em homenagem ao Dia do Trabalhador.
No dia 1º, as atividades em Belo Horizonte estão marcadas para às 9h, com concentração na Praça Raul Soares e na Quadra da Ocupação Paulo Freire, no Distrito Industrial do Jatobá.
Saúde e Direitos em Debate
As organizações envolvidas argumentam que o atual modelo de jornada de trabalho, amplamente utilizado em setores como comércio, restaurantes e serviços, afeta negativamente a saúde física e mental dos trabalhadores. Além disso, a carga horária excessiva compromete o convívio familiar e limita o acesso ao lazer e ao descanso.
Esse movimento ocorre em meio a um intenso debate legislativo sobre a jornada de trabalho no Brasil. Em 14 de abril, o governo federal apresentou o Projeto de Lei (PL) 1.838/2026, que propõe o fim da escala 6×1. O projeto está tramitando em regime de urgência, o que exige que a análise seja feita em até 45 dias. Paralelamente, propostas de emenda à Constituição buscam reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de dez anos, além de discutir a possibilidade de uma semana de trabalho de quatro dias.
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Embora abordem temas semelhantes, as propostas seguem processos distintos. Projetos de lei necessitam de maioria simples para aprovação, enquanto emendas constitucionais exigem um caminho mais longo, com apoio qualificado.
Um Clamor por Mudança
Para os organizadores, a presença nas ruas é vital para exercer pressão política. Lucas Sidrach, do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), destaca que a quantidade de atos programados demonstra um crescimento no engajamento em torno dessa temática. “As manifestações mostram que a sociedade organizada não apenas ocupa as ruas, mas exerce uma pressão essencial em um Congresso que busca desarticular os avanços para a classe trabalhadora”, afirma.
Minas Gerais deverá ter mais de 10 mobilizações ao longo da semana, incluindo ações em cidades do interior, o que indica uma maior penetração do debate. Sidrach ressalta que a pauta está atraindo particularmente mulheres e jovens, que enfrentam os impactos mais severos das longas jornadas de trabalho.
“Recebemos muitos relatos de mulheres enfrentando a dupla jornada. Elas falam da dificuldade de serem mães, de cuidar da casa e ainda lidarem com o desgaste do trabalho”, explica. Além disso, a falta de tempo para estudo e lazer tem gerado frustração entre os jovens trabalhadores.
Os movimentos também vinculam a discussão sobre a jornada de trabalho ao aumento de casos de problemas de saúde mental, argumentando que a redução da carga horária poderia ajudar a mitigar essas ocorrências.
História e Futuro da Luta Trabalhista
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Fonte: ocuiaba.com.br
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Segundo Jairo Nogueira Filho, presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), o 1º de maio representa uma oportunidade de resgatar a luta histórica por direitos trabalhistas. “Estamos reavivando o debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil, buscando garantir uma vida além do trabalho”, enfatiza.
Nogueira argumenta que a escala 6×1 limita o tempo livre e dificulta a construção de projetos pessoais. “As pessoas precisam de tempo para lazer, estudo e para fazer escolhas sobre suas vidas”, diz.
As manifestações também incluirão outros temas como condições de trabalho, feminicídio, terceirização e defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Programação das Atividades
A programação em Belo Horizonte para o Dia do Trabalhador inclui atividades culturais e passeata, com concentração na Praça Raul Soares a partir das 9h. O evento contará com espaço para crianças e deverá culminar na região do Viaduto Santa Tereza, com participação no tradicional Samba do Arco.
Valéria Morato, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG), considera que este é um momento crucial para a mobilização. “A luta pela redução da jornada é histórica e se torna ainda mais relevante com o projeto tramitando no Congresso. Nossa mobilização poderá influenciar esse processo”, destaca.
Morato finaliza enfatizando que a escala 6×1 atinge trabalhadores de diversos setores, e o excesso de trabalho prejudica o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Agenda das Mobilizações em Minas Gerais
29 de abril: Pedro Leopoldo — 16h — Rodoviária; Belo Horizonte — 16h30 — Praça Sete.
30 de abril: Betim — 17h — Praça Tiradentes.
1º de maio: Belo Horizonte — 9h — Praça Raul Soares; Belo Horizonte — 9h — Quadra da Ocupação Paulo Freire, Distrito Industrial do Jatobá; Uberlândia — 8h — Praça Simone da Silva; Juiz de Fora — 9h — Praça Deputado Clodesmidt Riani (Largo do Riachuelo); Montes Claros — 8h — Praça Dr. Carlos; Uberaba — 9h — Praça Dr. Jorge Frange; Araguari — 15h — Praça do Skate (Miranda); Ouro Preto — 9h — Largo do Cinema até Praça Tiradentes; Divinópolis — 9h — Praça Central; Ribeirão das Neves — 9h — em frente ao Supermercado Novo Horizonte, bairro Veneza.
3 de maio: Ituiutaba — 9h — Feira da Junqueira.
