Restauração da Casa Capitular de Mariana
A Casa Capitular de Mariana, que abriga o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra desde 1962, dará início a um processo de restauração a partir de maio. Este edifício, um dos mais significativos exemplos da arquitetura rococó em Minas Gerais, contará com um investimento total de R$ 2.436.060,38, financiado pelo Governo Federal através do Novo PAC. A execução será realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em colaboração com a Prefeitura de Mariana e a Arquidiocese local. A ordem de serviço foi formalizada no dia 4 de maio, durante um evento que reuniu autoridades municipais, eclesiásticas e representantes do Iphan.
Leandro Batista, chefe do escritório técnico do Iphan em Mariana, comentou que a restauração transcende a mera recuperação física do edifício. “Essa ação é uma reafirmação do compromisso do Estado brasileiro com a memória, a identidade e a dignidade de Mariana. A cidade é fundamental para a formação da identidade do povo mineiro e da nação brasileira”, destacou.
Importância da Restauração para Mariana
Leia também: Carnaval de Belo Horizonte Reconhecido como Patrimônio Cultural de Minas Gerais
Leia também: Felinju: Patrimônio Cultural e Destino de Negócios em Minas Gerais
A cerimônia de assinatura contou com a presença de importantes figuras, como o prefeito Juliano Duarte, o secretário municipal de Cultura, Eduardo Batista, e representantes da Arquidiocese, incluindo o Padre Geraldo Buziani e o Padre Anderson, administrador do museu. O prefeito Duarte expressou sua satisfação com o avanço desse projeto: “Mariana é a cidade onde Minas Gerais teve seu início. Cuidar da Casa Capitular é preservar a origem de nosso estado e de nossa história. Agradecemos ao Governo Federal e ao Iphan por tornarem isso possível”.
O Padre Anderson enfatizou a relevância da obra para o acervo e os visitantes do museu, afirmando: “O museu abriga tesouros que narram séculos de fé e arte. Com essa restauração, seremos capazes de oferecer ao público e aos pesquisadores um espaço à altura da importância do nosso acervo”.
Ampliação e Modernização das Estruturas
As obras previstas englobam a totalidade do edifício. No aspecto estrutural, será feita a recuperação da cobertura e das estruturas de madeira, além de pisos, forros, esquadrias, revestimentos e alvenarias — todos elementos essenciais para a preservação da integridade física e histórica do patrimônio tombado.
Leia também: Poços de Caldas: Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro é Tombado como Patrimônio Cultural
Leia também: Proteção do Patrimônio Cultural: Um Dever Legal e Social
Os sistemas elétrico e hidráulico também passarão por modernizações para garantir maior eficiência. A obra incluirá melhorias de acessibilidade, assegurando a segurança dos visitantes e ampliando o potencial do museu como um espaço de cultura e educação patrimonial.
Mariana: Foco em Turismo e Preservação da Memória
Em adição à recuperação estrutural, a restauração contribui para fortalecer as políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio e consolida Mariana como um destino nacional de turismo cultural. A conservação de um bem desta magnitude impacta positivamente a economia local, atrai pesquisadores e fomenta a formação de novas gerações que valorizam a memória histórica do Brasil.
Um Patrimônio de Valor Histórico
Erguida no final do século 18, a Casa Capitular possui tombamento federal desde 6 de dezembro de 1949. É reconhecida como um dos mais refinados exemplos da arquitetura rococó mineira, destacando-se pela riqueza e delicadeza de seus elementos decorativos. Durante décadas, o edifício abrigou atividades religiosas e administrativas da Arquidiocese de Mariana e, desde 1962, funciona como sede do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, que dispõe de um dos acervos de arte sacra mais importantes do Brasil.
Mariana, fundada em 1696, foi a primeira capital da capitania de Minas Gerais. O conjunto urbano tombado, do qual a Casa Capitular é parte, é uma referência fundamental da história colonial brasileira, preservando elementos de um período singular de formação cultural e religiosa do país.
