Alterações na Idade Mínima para Trabalho
O pré-candidato à presidência da República, Romeu Zema, do partido Novo, causou polêmica ao sugerir mudanças na legislação trabalhista que permitiriam um maior número de adolescentes a ingressar no mercado de trabalho no Brasil. Atualmente, a legislação estabelece que a idade mínima para trabalhar é de 16 anos, com a possibilidade de contratação a partir dos 14 anos para jovens aprendizes. Durante uma entrevista, Zema usou o termo ‘criança’ ao se referir a essa proposta, mas, após a repercussão negativa, alterou sua abordagem, passando a utilizar ‘adolescente’.
“Na minha infância, era possível tirar uma carteira de trabalho aos 14 anos. Acreditamos que a ideia de que jovens não podem trabalhar se tornou um padrão cultural, mas é necessário lembrar que existem tarefas simples que eles podem realizar”, comentou Zema em um podcast no Dia do Trabalhador, onde fez uma reflexão sobre sua própria experiência ajudando o pai a contar produtos.
Diretrizes da Proposta e Críticas de Especialistas
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Ele argumentou que a proposta visa dar ‘oportunidades de trabalho’ a adolescentes e que o trabalho digno pode contribuir para o desenvolvimento de caráter e disciplina, além de ser uma alternativa para evitar que jovens sejam atraídos pelo crime organizado. No entanto, a ex-diretora global de educação do Banco Mundial, Cláudia Costin, criticou a ideia, destacando que a proposta pode ser prejudicial. Segundo ela, a Organização Internacional do Trabalho recomenda que não haja trabalho para crianças e adolescentes durante a idade escolar obrigatória, que no Brasil vai até os 17 anos.
Ainda segundo Costin, muitos jovens estão se matriculando em escolas noturnas para poder trabalhar durante o dia, o que demonstra a inadequação da atual legislação. “A carga horária nas escolas noturnas é muitas vezes inferior às cinco horas exigidas pelo ensino regular, o que não favorece uma educação de qualidade”, afirmou.
Legislação Atual e Contexto Histórico
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A Constituição Federal brasileira determina que a idade mínima para trabalho é de 16 anos, sendo que aprendizes podem iniciar atividades com 14 anos, sempre com a condição de estarem matriculados na escola e de que a jornada de trabalho não ultrapasse três horas diárias. O Brasil já teve essa idade mínima estabelecida em 12 anos, durante o regime militar, e somente em 1988 foi elevada para 14 anos. Em 1998, a reforma da previdência implementada no governo de Fernando Henrique Cardoso fixou a idade atual.
Estatísticas e Perspectivas
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que havia cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil no Brasil em 2024. O trabalho infantil, definido como aquele que prejudica a escolarização e o desenvolvimento dos jovens, teve uma queda de 21,4% desde 2016, mas ainda é uma preocupação grave.
Além da questão trabalhista, Zema também defende a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, uma medida polêmica dentro de seu plano de governo divulgado em um site vinculado ao partido Novo. Apesar de sua estratégia de se posicionar contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador enfrenta dificuldades nas pesquisas eleitorais. Em levantamento da Atlas/Bloomberg, Zema aparece com apenas 3,1% das intenções de voto, empatado em quarto lugar com Ronaldo Caiado (PSD).
No topo da lista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com 46,6%, seguido de Flávio Bolsonaro (PL) com 39,7% e Renan Santos (Missão) com 5,3%. Com as eleições se aproximando, Zema busca conquistar um espaço mais significativo no cenário eleitoral brasileiro, mas suas propostas têm gerado debates intensos.
