Polêmica sobre trabalho juvenil no Brasil
O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), gerou controvérsias ao publicar, neste sábado (2), mensagens e um vídeo em sua conta na rede social X (ex-Twitter), onde defendeu a flexibilização das normas trabalhistas para permitir que jovens e adolescentes possam trabalhar no Brasil. Essa iniciativa surge após a forte repercussão negativa gerada por suas declarações, feitas no dia anterior, que sugeriam que crianças poderiam ser autorizadas a trabalhar no país.
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, apresentado por Rogério Vilela e lançado no Dia do Trabalhador, Zema expressou que, na sua visão, a ideia de que jovens não podem trabalhar é um pensamento que se espalhou no Brasil. “Eu trabalho desde que aprendi a contar. Quando eu tinha 14 anos, era permitido tirar a Carteira de Trabalho, e assim que pude, fiz isso”, disse, destacando que começou sua trajetória profissional ajudando seu pai.
Apesar de reconhecer que a educação deve ser prioridade, o político enfatizou que as crianças poderiam contribuir em tarefas simples, que estariam ao alcance delas. Zema também acusou a esquerda de contribuir para uma suposta rigidez em relação à flexibilização do trabalho infantil no Brasil.
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Respostas às críticas e novas declarações
As declarações do ex-governador provocaram reações adversas nas redes sociais, levando-o a se pronunciar novamente sobre o tema. Em três postagens feitas neste sábado, Zema evitou mencionar crianças diretamente, focando em “adolescentes” e “jovens” ao defender sua proposta de flexibilização das regras trabalhistas. “Vamos parar com essa hipocrisia”, declarou.
O político reforçou sua posição: “Defendo dar oportunidades de trabalho para adolescentes, pois educação e trabalho digno são fundamentais para a formação do caráter e do futuro. No Brasil, isso é permitido a partir dos 14 anos, na condição de aprendiz. Contudo, precisamos ampliar essas oportunidades com proteção, sem comprometer a educação, como já é feito em diversos países desenvolvidos”.
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Além disso, Zema destacou que muitos jovens no Brasil já estão inseridos no mercado de trabalho informal, sem proteção legal. “O Brasil parece fingir que protege seus jovens e crianças. Quando um adolescente não encontra oportunidades de educação e de trabalho, quem acaba oferecendo caminhos alternativos é o crime”, alertou.
Ele concluiu sua fala afirmando: “A escolha é clara. Ou ignoramos a situação e deixamos os jovens à mercê do destino, ou abrimos as portas para que aprendam a trabalhar honestamente e construam seu futuro. Chega de hipocrisia, pessoal”.
Contexto legal sobre trabalho infantil no Brasil
A Constituição Brasileira de 1988 estabelece que o trabalho infantil é proibido para menores de 16 anos. No entanto, jovens entre 14 e 16 anos podem obter a Carteira de Trabalho, sendo habilitados a atuar como aprendizes, com direitos específicos de proteção, jornada reduzida e a exigência de matrícula escolar.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em setembro de 2025, o Brasil contava com 1,650 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil no ano anterior, representando 4,3% da população nessa faixa etária. Esse número aponta um aumento de 34 mil jovens nessa condição em relação ao ano anterior, quando a proporção foi a menor da série histórica (4,2%). Dentre os que trabalham, 1,195 milhão estavam envolvidos em atividades econômicas, enquanto 455 mil realizavam tarefas apenas para consumo próprio.
