Hantavirose e a Realidade em Minas Gerais
A recente investigação sobre possíveis casos de hantavírus, associados a passageiros de um navio de cruzeiro no Atlântico Sul, resgatou a discussão sobre a hantavirose no Brasil. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em comunicado, esclarece que o cenário em Minas é distinto. A hantavirose está ligada ao contato direto com roedores silvestres, especialmente em áreas rurais, e cabe ressaltar que a cepa presente no país não é transmitida entre pessoas.
O secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, tranquiliza a população: “É compreensível que a notícia tenha gerado preocupação, mas é fundamental esclarecer que não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus é encontrado em roedores silvestres, especialmente em áreas rurais, e os casos registrados são isolados, como já ocorreram em anos anteriores no estado”, afirmou.
Cenário Atual da Hantavirose em Minas
Em Minas Gerais, a hantavirose ocorre de forma pontual e exige vigilância constante, principalmente nas regiões rurais. O estado se destaca por sua atuação nesse setor e está investindo na capacitação de equipes de saúde. Em 2024, Minas foi pioneiro ao sediar um treinamento prático voltado para a investigação de doenças zoonóticas, com ênfase em hantavirose e peste.
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O subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Prosdocimi, ressalta que “as ações de vigilância e prevenção são contínuas e fundamentais para a consolidação de estratégias permanentes nos municípios, sempre com o apoio do Estado, incluindo iniciativas educativas e monitoramento epidemiológico”.
Casos Confirmados e Histórico
Até o presente momento, Minas Gerais registrou um caso confirmado de hantavirose em 2026, que resultou em óbito. O diagnóstico foi confirmado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) e o paciente, um homem de 46 anos, residia em Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, e havia tido contato com roedores silvestres em áreas de lavoura.
De acordo com informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Minas registrou seis casos confirmados da doença em 2025, com quatro óbitos. Em 2024, foram documentados oito casos confirmados, também resultando em quatro mortes.
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Cuidados e Medidas Preventivas
Ainda que o risco de transmissão entre pessoas seja inexistente, a SES-MG reforça a importância de cuidados para aqueles que moram ou trabalham em áreas rurais. “A principal recomendação é evitar varrer locais com poeira seca, onde possa haver fezes ou urina de roedores. O ideal é ventilar o ambiente e umedecer o piso antes da limpeza, além de proteger bem os alimentos e os resíduos”, orientou Baccheretti.
Dentre as medidas preventivas mais relevantes, estão: armazenar alimentos em recipientes fechados, dar destinação adequada ao lixo e entulhos, manter terrenos limpos, não deixar ração animal exposta e descartar restos de alimentos dos animais domésticos.
Além disso, é aconselhável evitar plantações muito próximas de residências, ventilar locais fechados antes de entrar e umedecer o chão antes da limpeza. A recomendação é não varrer a seco.
Identificando Sintomas e Buscando Ajuda
Os sintomas iniciais da hantavirose incluem febre, dores no corpo, cefaleia, dor lombar e abdominal. Nos casos mais graves, pode ocorrer dificuldade respiratória, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial.
Infelizmente, não existem vacinas ou tratamentos específicos para a hantavirose. Portanto, indivíduos que apresentarem sintomas após contato com roedores silvestres ou em ambientes rurais com indícios desses animais devem buscar atendimento médico imediatamente.
