Cleitinho rejeita ideia de que Minas está quebrada e destaca necessidade de nova gestão
O candidato ao governo de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), contestou a avaliação de que o Estado enfrenta falência financeira. Durante sabatina na BandNews, ele comparou a situação mineira à recuperação do Flamengo, clube que, segundo ele, saiu de uma crise para se tornar uma potência mundial. Cleitinho enfatizou que Minas precisa mudar sua “energia”, organizar as contas públicas e estimular a atividade econômica para superar os desafios.
“Primeiro, precisamos mudar essa energia do Estado. Vou dar o exemplo do Flamengo, que em 2016 enfrentava dificuldades financeiras, mas hoje, com boa gestão, se consolidou como potência mundial”, afirmou. Ele ressaltou que o clube aproveitou seu principal ativo, a torcida, para alcançar resultados.
O candidato criticou a narrativa de que Minas está quebrada. Para ele, isso só ocorreria no momento em que salários de autoridades fossem atrasados. “O dia que eu ver um Estado quebrado é quando o salário do governador atrasar, ou deputados fizerem manifestações por atraso no pagamento”, declarou. Também mencionou atrasos nos vencimentos de magistrados e desembargadores como indicativo de desorganização orçamentária.
Estado enfrenta dívida bilionária, mas plano prevê ajustes e eficiência
Conforme dados do Portal da dívida pública da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, atualizados até 31 de agosto, a dívida total do Estado soma R$ 208,87 bilhões. Desse total, R$ 188,19 bilhões são referentes à dívida com a União, R$ 14,35 bilhões a outros contratos e R$ 6,33 bilhões a dívidas diversas.
O plano de governo de Cleitinho reconhece que Minas convive com “severas restrições fiscais” e que será necessário “fazer mais com menos”, adotando cortes, definição de prioridades e maior eficiência administrativa.
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Indagado sobre como pretende honrar compromissos diante das contas estaduais, Cleitinho afirmou que vai buscar aumentar a receita, simplificar a burocracia, atrair investimentos e ampliar parcerias com o governo federal e a iniciativa privada. “O Estado é fonte de despesa. Quem gera riqueza é o agro, o empreendedor, as indústrias, o povo e o trabalhador”, destacou.
Renegociação da dívida e parcerias com iniciativa privada no foco
Entre as ações propostas, o candidato pretende renegociar a dívida de Minas com a União, classificando o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Estado de Minas Gerais (Propag) como “mal necessário”. Promete ainda conceder recomposição anual automática da inflação aos servidores a partir de sua eventual posse, mas não se comprometeu a pagar perdas acumuladas de gestões anteriores.
O plano de governo reforça a intenção de negociar com o governo federal para criar um fundo de retorno de recursos para investimentos em logística e infraestrutura no Estado.
Na área de infraestrutura, Cleitinho aposta em parcerias com empresários para recuperar estradas, citando como referência uma iniciativa já adotada em Divinópolis. Ele sugeriu a possibilidade de empresas que têm dívidas com o Estado executarem obras rodoviárias como forma de compensação, abatendo os valores devidos.
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“Há empresas que devem ao Estado até multas ambientais que somam bilhões. Podemos fazer permutas para que essas empresas assumam a manutenção de algumas estradas, descontando esses valores da dívida”, explicou.
Compromisso com independência e resposta a denúncia em investigação
Ao defender parcerias com o setor privado, Cleitinho afirmou que assumirá o governo sem compromissos pessoais com empresários. “Não vou entrar devendo ninguém e nunca pedirei nada de empresário para mim. Vou pedir para o povo”, declarou.
Essa declaração ocorre em meio à investigação preliminar do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) sobre uma denúncia envolvendo cessões de aeronaves à campanha do candidato. Registros do DivulgaCandContas indicam três cessões feitas pelo empresário Eliésio Carlos Rodrigues, avaliadas em R$ 21,45 mil. A investigação está em fase inicial e não aponta conclusões sobre eventuais irregularidades.
A assessoria de Cleitinho classificou a denúncia como infundada, ressaltando que todos os atos da campanha respeitam a legislação eleitoral e que as cessões constam na prestação de contas, não configurando irregularidade nem contradizendo a afirmação do candidato.
