Virada decisiva em Minas Gerais
Minas Gerais foi o único Estado brasileiro onde a liderança na eleição presidencial mudou do primeiro para o segundo turno, fator crucial para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) tenha vencido no primeiro turno e mantido distância de Lula, o presidente conseguiu virar o placar no Estado. No primeiro turno, Lula perdeu para Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de 588.612 votos, mas no segundo turno, venceu com 109.313 votos de vantagem. Esse resultado reforça a máxima de que o desempenho em Minas Gerais é determinante para vencer as eleições nacionais.
Mobilização intensa e articulação local
A campanha de Lula atribui a vitória à combinação entre forte mobilização nas ruas e atuação nas redes sociais. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT), que atuou diretamente na campanha no Estado, destacou o trabalho estruturado por região. Cada deputado, eleito ou não, ficou responsável por ampliar a base eleitoral na área onde teve mais votos no primeiro turno. O ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, contribuiu com sua relação estreita com prefeitos, reforçando a articulação política local.
Além do ministro, participaram da mobilização o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), a presidente estadual do PT, deputada estadual Leninha, e a senadora eleita Marília Campos (PT-MG). Esse esforço conjunto resultou em ampla presença nas ruas, com passeatas e engajamento de movimentos estudantis e sociais. A estratégia buscou reduzir abstenções, incentivar o voto entre idosos e atrair a juventude para o campo progressista.
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Estratégias digitais e engajamento jovem
A campanha reforçou a comunicação digital, coordenada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e com apoio de Ana Elisa. Lula manifestou interesse em priorizar esse canal no próximo mandato, reconhecendo sua importância para mobilizar eleitores. A participação dos estudantes foi decisiva para o aumento da votação no segundo turno, especialmente em universidades mineiras. O envolvimento dos jovens e a maior presença de eleitores idosos contribuíram para a ampliação dos votos do petista em todas as regiões do Estado, com destaque para o Vale do Jequitinhonha, norte de Minas e Zona da Mata.
Repercussão na campanha adversária
Na campanha de Flávio Bolsonaro, o resultado gerou insatisfação e busca por responsabilidades pela derrota. Parte do PL atribui a queda de votos à falta de empenho do governador eleito Cleitinho Azevedo e do vice Luís Eduardo Falcão (Republicanos), que apoiaram Flávio de forma tímida no segundo turno, limitando-se a participar de eventos como a motociata em Belo Horizonte e um bloco em Divinópolis. A ausência de Cleitinho em cumprimentar Lula pela vitória e sua postura pública de diálogo com o presidente eleito causaram desconforto entre bolsonaristas.
Além disso, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi apontado como responsável por decisões que não surtiram efeito esperado na campanha. Ferreira concentrou esforços em outros Estados, acreditando que a vantagem em Minas Gerais se manteria ou aumentaria. No entanto, a estratégia não evitou a virada.
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Resultados eleitorais e análise política
Flávio Bolsonaro liderou no primeiro turno com 5,77 milhões de votos (48,24%), contra 5,18 milhões de Lula (43,33%). No segundo turno, Lula recebeu 6,35 milhões de votos (50,43%) e Flávio 6,24 milhões (49,57%). O petista ampliou sua votação em 1,16 milhão, enquanto Flávio cresceu em 464,2 mil votos. A virada ocorreu em 76 municípios, com Lula ampliando sua presença eleitoral em 76 cidades e passando de 452 para 528 municípios com maioria de votos.
O cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec, destaca a desmobilização na campanha de Flávio Bolsonaro, apontando que faltou uma atuação mais agressiva, como a observada em 2022 pelo então governador Romeu Zema. Cerqueira aponta que a queda na abstenção em Minas Gerais influenciou diretamente no desempenho de Lula, que se beneficiou da transferência de votos da terceira via para o campo progressista.
As abstenções diminuíram de 3,73 milhões (22,81%) no primeiro turno para 3,32 milhões (20,33%) no segundo turno, reflexo da mobilização nas ruas e nas redes sociais. Essa dinâmica foi determinante para a consolidação da vitória de Lula no Estado, que segue como um termômetro eleitoral para os rumos políticos nacionais.
