Seminário promove diálogo sobre hanseníase em Minas Gerais
O Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CES-MG) organizou, no dia 20 de outubro, o 1º Seminário da Política de Enfrentamento à Hanseníase em Minas Gerais, com o objetivo de fortalecer a assistência às pessoas afetadas e aprimorar as políticas públicas de combate à doença no estado. O encontro criou um espaço para troca de experiências entre gestores, profissionais de saúde e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), focando na garantia dos direitos e na melhoria do cuidado integral.
Eixos temáticos direcionam as discussões
O seminário estruturou as conversas em três eixos principais. O primeiro abordou o “Controle Social e as Políticas Públicas de Saúde no SUS”, ressaltando o papel fundamental dos Conselhos de Saúde na formulação, monitoramento e fortalecimento das estratégias de enfrentamento à hanseníase em Minas Gerais.
O segundo eixo, “Assistência, Diagnóstico e Vigilância no SUS”, destacou a necessidade de reforçar a Atenção Primária à Saúde (APS) e capacitar os profissionais de saúde nas diversas regiões do estado. Também foram apresentados avanços tecnológicos, como a oferta de testes rápidos gratuitos, disponibilizados pelo Laboratório Central de saúde pública de Minas Gerais (Lacen-MG) e pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), que auxiliam na detecção precoce da doença.
O terceiro eixo, “Rede de Atenção à Hanseníase em Minas Gerais”, discutiu os desafios relacionados à fragmentação da rede de atenção, dificuldades no acesso aos serviços e o diagnóstico tardio. Foi enfatizada a urgência de integrar os diferentes níveis de atenção para garantir a continuidade do cuidado às pessoas afetadas.
Participação social e articulação interinstitucional
O seminário reforçou a importância da participação social e da colaboração entre gestores, profissionais, usuários do SUS e movimentos sociais para desenvolver estratégias eficazes. O foco está na promoção do diagnóstico precoce, no cuidado integral e no combate ao estigma e à discriminação vinculados à hanseníase.
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A abertura contou com representantes de instituições diversas, fortalecendo o diálogo e a construção coletiva de propostas para o enfrentamento da hanseníase em Minas Gerais. Entre os presentes estavam Maflávia Ferreira, da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde em Minas Gerais (SEMS/MG); Lúcio Alvim, vice-presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS-MG); Willer Marcos, presidente do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte (CMS-BH); Erli Rodrigues, secretário-geral do CES-MG; Luciene Ribeiro, coordenadora estadual de Hanseníase e subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-MG; Bil Souza, coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN); Francisco Lana, professor da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Eni Carajá Filho, representante da Rede Universitária Nacional Integrada para o Enfrentamento da Hanseníase (REUNA-HANS Brasil) e do MORHAN-MG; além da presidenta do CES-MG, Lourdes Machado.
Compromisso com ações efetivas no controle social
Lourdes Machado reforçou a importância do controle social para acompanhar, fiscalizar e contribuir na formulação das políticas públicas, garantindo que os debates se convertam em ações concretas com a participação ativa da sociedade e o compromisso dos gestores.
Erli Rodrigues destacou que o seminário integra a agenda do CES-MG para ampliar o debate sobre políticas de saúde que historicamente recebem pouca atenção, buscando fortalecer a participação social e a construção coletiva de propostas para o enfrentamento da hanseníase.
Bil Souza ressaltou o papel essencial da população na construção, monitoramento e fiscalização das políticas públicas de enfrentamento à hanseníase no SUS, apontando os Conselhos e as Conferências de Saúde como espaços fundamentais para transformar demandas sociais em ações reais.
Desafios na assistência e organização dos serviços
Maria Aparecida de Sousa, da Diretoria de Atenção Primária à Saúde (APS), apresentou os desafios enfrentados no estado, como diagnóstico tardio, ocorrência de incapacidades físicas e dificuldades no acompanhamento dos pacientes e seus contatos.
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Ela destacou a necessidade de fortalecer as equipes de saúde nos territórios por meio da busca ativa de casos, capacitação dos profissionais e integração entre os níveis de atenção do SUS. Também ressaltou o papel dos Conselhos de Saúde na fiscalização dos serviços, no acompanhamento dos indicadores e na inclusão da hanseníase nos instrumentos de planejamento e gestão do sistema público.
Integração entre universidades, serviços e movimentos sociais
Eni Carajá Filho, da REUNA-HANS Brasil e do MORHAN-MG, apresentou a trajetória da rede, criada em 2015 para fortalecer a formação, pesquisa e cuidado integral às pessoas atingidas pela hanseníase. Destacou a cooperação entre instituições, a troca de conhecimentos e a participação social como fundamentais para aprimorar as ações de combate à doença no país.
Diagnóstico precoce e prevenção de complicações
Francisco Lana, professor da Escola de Enfermagem da UFMG, explicou os sintomas principais da hanseníase e reforçou a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações e incapacidades físicas. Chamou atenção para os desafios decorrentes da baixa visibilidade da doença, preconceitos e dificuldades de acesso ao diagnóstico e tratamento.
Propostas para fortalecer a política de enfrentamento
Ao final do seminário, os participantes discutiram e aprovaram propostas que visam aprimorar a política de enfrentamento à hanseníase em Minas Gerais. O encontro destacou a relevância da construção coletiva e da participação social na busca por melhorias no diagnóstico precoce, na assistência e na garantia dos direitos das pessoas afetadas pela doença.
